sábado, 11 de dezembro de 2010

Ensaio sobre a sargeta

Sumiu.

Fazem exatamente vinte dias.

- Alô? É da polícia ?

Choros e velas.

Mas ele avisou,

Disse que não há como adaptar-se a uma morte,

Mas quando se trata de um escolha

Temos de aceitar.

Se ele quisesse virar mendigo...

- É alto, cabelos grisalhos, moreno de sol, trabalhador meu senhor.

Teríamos de nos libertar dele.

- O senhor esta entendendo? É pai de dois filhos porra !

Foi como se um tapete de maça empurrasse ele abaixo.

Acho que a depressão vai matar a humanidade.

Não há mais como ser feliz.

Não há mais como sobreviver à realidade.

Ele simplesmente fugiu.

Talvez não poderemos considerar uma fuga,

Dias antes ele deu um aviso para a menina:

- Eu já fiz tanta loucura, que eu acho que é isso ainda que me deixa lúcido. Eu já subi no relógio. No tempo. Sabe o que é isso? Então vai viver menina, liberte-se.
E o relógio batia zero hora.

E a menina como sempre, não entendeu o outro lado do sermão.

Ainda mais:

- Filha, você tem que se libertar dela. Ela era tão linda né ? Mas deixa ela ir, foi uma escolha dela filha, uma escolha. É a mesma coisa se eu quisesse ir pra rua agora e virar um mendigo, vocês teriam de se acostumar.

Depois disso

Uma lágrima a dois.

E agora, várias lágrimas a três.

Se virar mendigo sanasse o sofrimento,

Então vá.

Se o retorno do homem velho fizesse como escritas.

Mas aqui é só um poema,

Ele ainda não foi pras ruas,

Mas esta perdido em si a anos.

- Alô? É do Achados e Perdidos ?

Para Leonel Marcos Thiago. O meu mundo respira você, velho.

Tábatta Iori Thiago

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O menino, o controle remoto e o tempo.

Naquela manha ao abrir os olhos,

O dia parecia vazio e pesado

O menino se levantou de sua cama

E se arrastou até o sofá marrom escuro colocado em baixo da janela

Na caixa preta, um filme sobre interconectividade da ficção

Dentro de si, um filme sobre a surrealidade e o desespero

Os médicos diziam que ele, o menino que chorava pelo tempo

Sofria de dilatação perceptiva da sensibilidade

Mas não era isso que dizia a cor des seus olhos

Um grito monocrômico pedia socorro, mas faltava voz em seu manifesto.

A sala era como uma câmara de eco que ampliava a sua dor

Enquanto o dia fora dele, fazia contraste com aquela cena

Era claro, e a luz do sol dançava sobre a arvore do outro lado do muro

Ele assistia a pausa do retrato como quem pudesse entender

Do que era feito o que é de concreto

Um corpo se jogando do céu, se atirando entre as nuvens

Pra longe da realidade, pra longe de si mesmo.

Ascendeu um cigarro e por acidente esbarrou sua mão pequena e cheia de calos

No controle remoto da televisão

Que caiu entre o vão da parede e do sofá marrom

Seu braço curto, não alcançava o controle.

Sua ordem ao contrario também não

E por isso não controlava o abismo dentro das coisas

Mesmo assim insistiu, e caiu no vão entre o sofá e a parede

E ali ficou, assistindo a cortina de fumaça se misturando com a cortina branca da sala

O chão frio desenhava uma geometria e as lágrimas salgadas rabiscavam seu rosto

E ali ficou durante horas, se esqueceu, se isentou.

Se atrasou para escola, perdeu o último trem

Chegou atrasado em seu enterro. Parou.

Abortou os ponteiros do relógio.

O que dói mais que o tempo?

A ausência dele.

O menino lentamente se levantou

Pegou o controle remoto e mudou de canal

Olhou uma última vez para a caixa preta, derramou sua última lágrima,

Ascendeu seu último cigarro

E se jogou na beira do mundo

Saltou da janela, transcendeu o imaginário.

E antes de seus ossos encontrarem o chão

Fez um último esforço, abriu os lábios e pediu ao tempo

“Me perdoa”.

Guilherme Radonni.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

GAIA

A poesia foi colocada em prática.






Idealizado para a execução em ambiente aberto, e interpretação de uma única atriz, o espetáculo não deve ser considerado um monólogo, pois o publico interage de maneira atuante e dinâmica, proporcionando a plástica perfeita e contribuindo para um cenário único à cada enquete.

O publico interage, durante o espetáculo com 11 personagens em um palco-tapete circular de 5 metros de diâmetro, onde os personagens, juntamente com o público descrevem cenas do cotidiano que se chocam com as mais sublimes e chocantes forças da natureza.

“Gaia” denuncia que há alguém doente e que pode morrer e o objetivo do espetáculo é fazer com que cada espectador, que tenha participado ativamente ou não, se questione e descubra o que tem feito e o que pode fazer para ajudar esse ser sagrado a se curar.




Do vazio que a concebeu, ela surgiu girando e dançando, livre e sem destino no espaço da noite sem fim






De tudo que há vivo sobre seu corpo e por entre suas cavernas profundas foi gerado por elas, e dos que cruzam seus arredores e dos que habitam sua saliva e percorrem o caminho de suas veias, houve um que lhe trouxe nomes e questionou sua existência.

















- Se ela chora, sou eu quem lhe escorre os olhos.
















- Total shock !













- Guerreira vestida de aço, da terra eu lhe fiz, e com o aço, eu te curo.






















- A arca de cinzas poderá um dia ser jogada, de um céu, que poderia queimar a terra e ferver os oceanos...



















- Acho que estou carregada... vou procurar um local pra tomar um passe, sei lá.



- Mas ela ainda não morreu. Me perdoa mãe...






- Fui eu que a fiz pedir perdão, e eu mesma lhe perdoei.




Fotos: Doulgas Rene e Celina Rivero.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O que é o contrario do amor?

Nada é inacabável, tudo se esgota.

Menos o tempo, o mesmo tempo

Que define a duração das coisas

As mesmas coisas,

Que mancham a memória

E depois evaporam.

Não quero contrariar os românticos

Não quero desmentir os lúdicos

E nem quero matar a eternidade

Mas o amor é perecível

Não o amor em si

Mas a percepção que temos dele

Acreditar na incondicionalidade

É iniciar o desgaste da essência

Depois disso a rotina faz o resto.

O problema é ter de agüentar

É enxergar os muros caindo

E só poder assistir

Isso dói mais que o fim

É uma auto mutilação sem intervalo.

Acho que o erro esta na concepção do homem sobre o amor,

Pois achamos que o amor une as pessoas

E as tornam um único ser, mas é impossível se tornar um

Quando se é dois, pois o abismo que se estende

Entre a minha complexidade e a do outro

Basta para um desassossego

E isso é como um vírus que se instá-la dentro do sentir

Contamina e devora tudo o que tem por dentro

E pra esse mal meu caro leitor,

Não há cura.

Você vai ficando louco, cego e embriagado

Tentei enxergar ao contrario

Mas tudo o que vi, foi a minha espera cultivando

O fim do meu amor pelas coisas.

Depois disso, o fim.

Guilherme Radonni.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

EU QUERO A CURA !


Imaginar-se sozinho...

Já parou para pensar nisso? Na imensidão que é isso? Sim, porque você esta só, mas é imensa a solidão. Existe você e um resto, que por sinal é mais que gigante. Te engole. E te faz menor.

Agora pensa em estar só mas com milhares de pessoas ao seu lado? Aí já é vontade. Porque você sente-se só quando quer alguém com você que não pode ter. Ou até tem, mas não esta valendo. Putz, estar entre humanos e sentir-se solitário. É triste.

Até a palavra “só”, é um pouco sozinha.

E vazio? Estar vazio? Oco por dentro? Isso sim é triste. Porque estar só, ao menos é sentir. Agora estar vazio, haver um vazio dentro de você, é quase morte.

Quando sente falta de alguém então...

Acredite. Há um ser humano que sente um vazio solitário e ainda por falta de alguém.

Engraçado que é um vazio tão pesado...

- Ela me disse que não sabe mais se chora por saudade ou chora por não conseguir parar de chorar. Doutor, o que eu faço? – diz a mãe desesperada.

O médico sem ao menos mirar os olhos na garota diz:

- Interna. Vamos colocar algo dentro dela para ver se a preenche.

Se ao menos o ar fizesse efeito no peito.

Ela quer a cura !

“Pede para o tempo nos perdoar. Quem sabe assim ele mira os olhos na garota”

Tábatta Iori

domingo, 24 de outubro de 2010

Uma garota e seu boneco desconhecido abaixo de uma luz

[...]
Olhem... e vejam o que é a tristeza.
Mas olhem de verdade através dos meus olhos verdes...
Deus !
[...]

256 lugares ao vento

Rastros do contentamento fora do normal.
Eis aqui, o que acontece com a gravidade.
Surdos são aqueles que pensam e ouvem,
vitoriosos aqueles sepulcros.
Tomo do vinho, o veneno social.
Sim! Idéias são eternas.
Não! Minha saliva falta com sua precariedade...
fechem as mãos agora e vou indo para casa.
Paraíso...
Inferno !
Eis que surgem novas idéias!

Toc... Toc...
Já vai bater...
Já vai bater !
Sem doer o coração cálido,
sem ferir os dedos fétidos,
sem buscar a alma morta.
Lá se vai o meteorito,
lá se foi o brilho, de meus tristes olhos!

As paredes calcáridas formam o muro,
os pápeis limpos formam as algemas,
os porões estão a todo vapor...
e o calor, esta me fazendo sentir frio !
Não...
Não se vá doce lágrima,
não morra ao deleite da sociedade...
Não faça a mercê dos pobres !
Fuja,
fuja...
o contentamento de ter esperanças frias,
movem aquela cadeira...
tão só, como eu,
que vago sozinha...
pela eternidade a fora,
cega !
no escuro...
abro com um machado as correntes de um livro,
e nele...
encontro-me.
Sim...
vá... corra...
encontre-me doce cadeira,
para que eu possa descansar minha tristeza...

Há alguém velho demais...
Há alguém novo demais...

Aaaaaaaaaaaah !
Abram as portas da floresta...
fabriquem o perfume das flores...
descubram um planeta morto.
Têm-se os olhos,
têm-se o coração,
têm-se a raiva
e têm-se a depressão
e aí, o vinho faz sua conclusão,
e aí, já estou nova demais para idéias hipócritas e cretinas...

As cores do cabelo,
sintonizam os olhos perdidos...
e o tempo não pára.

Ah! Desgraçada que sou !
Presa no eterno vazio...
tendo como companhia,
a eterna agonia e angústia.
Inteligência,
oratória...
Pertercem ao nobre cavaleiro de cinza.

As folhas estão se mexendo e rangindo...
elas falam latim !
E estão gritando aos meus ouvidos o socorro...
Olhe para mim...
Olhe para mim, doce idiota...
Blá, blá, blá...

Vai começar o culto sagrado...
vai começar o meu mais novo mandamento de três palavras.

Ensine-me a viver semd ar risada...
ensine-me por favor...
a rir de todos os seus defeitos.
De rir, eternamente, de todos os meus defeitos !
Já que a eternidade não é nada para alguém tão solitária,
como eu !
Olhem...
E vejam o que é a tristeza...
Olhem...
mais olhem de verdade através dos meus olhos verdes...
Deus !
Torne-me a mais bela criatura,
por que fizeste isto comigo?
A metamorfose, acontece ao piscar dos olhos.

Damas e cavalheiros,
senhoras e senhores,
não sou mais a mesma desde que comecei a falar.
Despeço-me com muita gratidão...
e vou de encontro ao eterno sofrimento.

Adeus ! Queridos olhos perdidos !

Iohann Iori Thiago

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vamos rir do mundo?


Saudade de resistir ao mundo com você.

Sinto falta dos nossos pés descalços

Dançando sobre o assoalho da casa

Sincronia de dois corpos que se sentem

Nosso improviso foi além

Matou o acaso

Depois disso ficamos cansados

De brincar de ser astronauta

Sim, tenho culpa de você

Desculpe,

Por não ter enfeitado

O teu mundo o bastante

Pra você poder continuar nele

Agora, o físico se desgastou

Os joelhos não dançam mais

E até a água parece querer secar.

Fechei os olhos e encontrei você

E nesse sonho tudo era feito de água

Nos afogávamos no nosso delírio

Derramávamos lágrimas de nostalgia e loucura

Quando abri os olhos, você não esta lá

Não estava dançando comigo

Nem tragando a fumaça

Nem amortecendo o impacto das horas

Agora? Sou nostalgia e loucura

Riso triste, musica muda.

Meu vicio não é saudade

Nem cigarros, nem vaidade

Meu vicio é sentir de mais

E não sentir nada

É ter essa profundidade

Pintando meu rosto

Sem ordem, sem partitura.

Mas resisto, afinal é o que me sobra

Resistir ao resto do mundo

Enquanto isso, finjo ser equilibrista

E nem sequer fui ao circo

Quando eu era criança.

Guilherme Radonni

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O toque do verde, lambeu meus dedos enquanto eu delirava. Depois disso não voltei daquela paisagem.


Saudações terraquios!

Astronauta não vá para a Lua
Lá tem loucura e pouco oxigênio
Tem crateras e poeira espacial
Sem contar os jovens lunaticos
Que sempre viajam para lá
E ficam dançando a valsa da anti gravidade
Quando voltam para a realidade?
Não voltam, deixam tudo lá
Ficam delirando sobre a euforia de estarem fora de orbita
E se iludem com a própria memória
Que estampa a cor da Lua em tudo que seja imagem
Ficam presos entre a realidade e o surreal
Como se o inconsciente escorresse do físico
E transcendesse tudo o que é sensorial
Como em um filme, onde tudo se move,
Tudo se cria e ninguem vê...só eles
Só os que têm as retinas manchadas de luz
Que revelam quadros estaticos,
E isso já é muito pra quem não vivem nem metade da vida
Contamina o resto, contamina tudo e não deixa nada
Por isso astronauta
Não viaje para a Lua
Não faça a coisa mais simples que se tem a fazer
Sentir, sentir o delírio de que precisa de uma fuga
Porque o retorno, é inconcebivel
E além do mais aqui na Lua já esta bem cheio
Não tem mais espaço para exploradores.
"-Terra chamando! Cambio! Terra chamando!"
Não vou atender ao chamado da realidade
Vou mergulhar no espaço e sentir os cometas lavarem minha alma
"-Ultima tentativa. Cambio. Terra chamando!
Terra chamando! Cambio. Desligo."

Guilherme Radonni.





sexta-feira, 8 de outubro de 2010


Dar asas ao que quer que seja, você.

Pensamentos de um pássaro.

[do meu jovem pássaro]

Já não sei o que pensar.

Tenho ânsia do viver,

Mas me puxam para baixo,

Para ir mais lento...

Meus dias passam como gaivotas,

Na velocidade de um vôo alto

Onde se vê tudo pequeno.

Tão pequeno,

Que é preciso forças as vistas para tentar ver o jardim inteiro.

Queria eu ter olhos maiores.

Já cheguei a acreditar que me vendaram e fizeram apenas furos para as pupilas.

Mas me disseram que era clichê.

E me fizeram acreditar nisso.

Por enquanto ainda tenho asas.

Porque a minha voz,

Eu nunca ouvi.

E o cheiro...

É sempre o mesmo,

Tão insuportável

Que já não sinto mais nada.

Não sei a diferença do doce e do amargo.

Só sei que tudo é menor a meu ver.

Deveria sentir-me a dona do mundo por ser tão grande,

Mas é ao contrário,

Sinto inveja de todos serem iguais.

Sinto tanta falta de alguém como eu.

- Imagine alguém voar comigo?

E sentir comigo, como o mundo fede.

Vai ver lá embaixo tudo não seja tão ruim.

Será que alguém me enxerga?

Não devo ser tão grande para eles.

Pois se eles olham de baixo para cima...

- será que eles acham que somos do mesmo tamanho?

Não!

Ei, ei...

Não somos iguais...

Ouviram?

Não somos...

Só eco.

Silêncio.

Porque tenho sempre a necessidade de dizer que sou diferente,

Se queria tanto estar com eles.

Tábatta Iori

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Um inseto pousou em mim.















Depois disso nunca mais fui o mesmo.

A fronteira entre o meu tempo e o seu pode ser medida por um inseto.

E sempre novamente

Como se a repetição

Definisse o cotidiano

Talvez de fato seja

Só não consigo crer pacificamente nisso

Nessa configuração

Que nos encaixa como engrenagens

Em uma grande maquina de vidro

E o cheiro dessa maquina se mistura com a nossa cor

E a cor dela se esconde no nosso cheiro

Nos faz executar o mesmo movimento

Do mesmo ângulo, no mesmo sentido,

Com a mesma força.

Descobri algo, enquanto olhava para uma formiga

Devorando uma barata anti bomba atômica,

O HOMEM ALIMENTA A HORA

Com suor e lagrimas

Com dor e riso

Deveríamos matar os relógios,

Comer os ponteiros, e engolir as horas

Mas nem matança nem canibalismo algum

Encerra o tempo

Só inseto esmagado no chão

Ou grudado na sola do sapato

Ou na beira do mundo

Naquela beira que não tem nada

A não ser o outro lado

Como uma fronteira.

O que difere o meu cotidiano do teu?

Podia dizer que são as pessoas, ou a graça que vejo ou deixo de ver

Ou ainda nas tarefas que nos são impostas

Mas não, a única coisa que difere a nossa real rotina

È a rotação do tempo

Como se dentro dele, houvesse uma subdivisão

E no vácuo dessa separação, estamos nós.

Pequenos operários de um formigueiro

Devorando baratas anti bomba atômica.

Guilherme Radonni.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Para aquela que é branca, frágil e catatônica.

Sabe o que difere o mundo de nós dois?

O mundo é sozinho

Sem par, sem catatonia.

As vezes parece que o tempo leva metade da gente

Que deixa as coisas cinzas entre nós

Mas isso tudo

É só uma falta de percepção

Na verdade estamos sempre multicoloridos

E sempre que penso nisso

Nessa permissão do acaso

Que aconteceu entre nós

Viro essência, viro lagrima escorrendo no rosto

Sem tristeza, somente contemplação

Por ter descoberto a vida do teu lado

Por sempre sobrar nós dois

Por tudo e por nada

È um contraste, uma dança de sombra e luz

E estamos deitados nela, declamando nossas loucuras

Só preciso disso

Desse sentimento a inundar tudo

Por que o resto é só o que faz você ser cor

Uma parte branca, de uma parte nem tão lúcida

Lhe agradeço pelas sensações

Pois sem você

Não teria sentido metade do que eu acho ser sentimento

Você exercita essas pequenas funções perdidas dentro de mim

E o resultado disso

Nossa poesia manchando o mundo

Guilherme Radonni.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Salto.

Não sobrou muita coisa

Pra se dizer

Não vou reciclar minha dor

Deixe que o tempo faça isso

Ultimamente foi só o que ele tem feito

O pior, é a nova percepção que ele me trouxe

Á de estar sozinho, sem eixo,

Sem rumo, sem porta-estandarte.

Mas já estou bem crescido

Pra saber que toda guerra é só

Só não me acostumo com isso

Em ser uma beira do mundo

Que não enxerga nada que não o caos

Quem sabe por baixo de tudo isso

Tenha algo mais bonito

O triste é esperar o outro andar

E nem me sinto em um elevador

Talvez em uma escada

Mas descer os degraus

É muito para os meus joelhos

Prefiro saltar da janela

Quem sabe seja isso

Tenho de mergulhar no ar

E sentir minha fragilidade

Se espatifar no chão.

Guilherme Radonni.

Zero hora.

É como se a vida terminasse alí,
No fim da ampulheta
Conta relógio de areia, conta!
Você foi, e eu fiquei aqui
Presa na porra do passado.
Há tempos tempo.
tem...
po...
_
Zaidan



domingo, 19 de setembro de 2010

Uma brisa CONCRETA.

Um vento bateu.

Estava eu molhando as mãos em sabão,

para arrumar a bagunça da noite anterior.

Ouvi alguém chorar,

era uma voz doce, mas desesperada.

Não respondi.

Observei e,

ouvi de novo.

Olhei ao meu redor e todos estavam rindo.

Havia algo se acabando em lágrimas,

mas não estava ali.

Não agora.

Respirei.

E voltei ao meu fazer.

Não me senti mais bem depois daquilo.

Eu sentia uma dor que não era minha,

estava com a certeza que algo estava para acontecer.

Comigo. E com todos que estavam na casa de mato.

Uma casa linda,

de madeira com portas grandes e fotografias que mudam de cor,

A cada olhar.

Mesmo que seja do mesmo ângulo,

A imagem que você pausa, muda.

Passamos a tarde toda ali,

Deitados em colchões que dava a vista para o horizonte de árvores.

Uma energia tão solitária.

Estávamos tão longe de tudo,

Do concreto,

O que podia nos acontecer?

Dormi.

Quando acordei já era noite,

Todos se arrumavam para ir a mais uma festa em uma cidade antiga,

Com igrejas monumentais, postes com luzes de outro século,

E aquela rua que te faz pular com o automóvel.

Vivemos mais um resto de noite ali,

Com o céu nublado,

Com cigarros, bebidas e um som que fazia a sua alma saltar.

Do outro lado,

No concreto,

Alguém pegava fogo.

Era essa a minha dor,

De queimação no peito,

Eu apenas sentia como era,

O menino grande do concreto vivia aquilo.

Em um outro evento,

Em uma cidade não histórica mas ultrapassada,

Acontecia algo que para aquele garoto,

Fazia sua alma saltar.

Ele queria que eu estivesse lá,

Mas algo me fez fugir.

Junto a um som de tambores,

Com cores amarelas e vermelhas,

Com flores em tecidos,

O do concreto,

Com apenas duas talas de malabares

Com cores amarelas e vermelhas, mas quente,

Pegou fogo.

A sua maior alegria,

O contagiou por inteiro,

De uma forma não convencional

E nada bonita.

Queimou-se.

E eu?

Agora sinto uma outra coisa,

Deve ser o pós-queimadura,

Eu não sei.

Eu só sinto.

Se as coisas tem de ser do modo que o destino quer,

Eu estou fora.

Não darei a minha cara para judiar.

Existem pessoas,

Que não merecem o que o senhor destino dá.

Lamentos, muitas vezes,

Por sentir pelos outros.

Tábatta Iori para um grande, grande irmão!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Colapso metafísico da antimatéria.

A dificuldade não está em não ser monocromatico

Esta na falta de motivo

No questionamento

No vácuo que me consome

Talvez querer saber de mais

É querer morrer mais rápido

Digo isso porque

Paramos de viver para refletir sobre o que é vida

E pra isso precisamos parar o tempo

Olhar de outro ângulo, descer um degrau

E quando executamos isso

Abortamos a ação

E morremos por instante

Pois não estamos vivendo

Estamos ali estáticos

Num estado entre o pensamento e a descoberta

Mergulhados em complexidades

De fragmentos mais pequenos e mais gigantes

Do que a nossa existência

Criamos um colapso, um desassossego

Pois enxergamos algo perturbador

Que não cala nossa voz

Só da mais eco ao nosso grito

È como um poço onde se cai

Não se pode sair seco,

Muito menos sem um joelho ralado

Para atingir esses estado metafísico do pensamento

È necessário gastar a matéria

Sacrificar o corpo, e oferecer o tempo

Mesmo que nós, os parasitas da nossa própria humanidade

Não tenhamos mais tempo

Luz silenciosa

Entre ela, uma outra camada

Opaca e dissonante

Surrealismo, achei que o tivesse encontrado

Mas era só a inconsciência

Brincando de ser Deus

Talvez seja isso que me confunda

Ter uma voz que não é minha

Dentro da cabeça.

Guilherme Radonni.

Se ache no desassossego do verde.




Um
corpo
caido
no chão
E o céu
caindo.

(Foto.
Jaqueline
Soares)

Desconfiguração

Eu estava lá

Ao mesmo tempo em que estava aqui

Eu era parte de um todo e era tudo

Como uma dança improvisada

E no lugar dos pés, sensores

E no lugar das mãos, antenas

Tudo como uma conexão

Percepção de falsa realidade

No rosto sentia o vento

Furando a pele, escorrendo como água

Vazei sobre o asfalto

O que perdi ainda esta lá

O que ganhei já foi perdido

Nada é de concreto.

Digo isso porque o chão

Se movia como se fosse uma linha de som

Uma trilha branca

Regendo um cenário de vários planos num só

Mas só eu enxergava isso

O resto, o grande público

Insistia em ficar lá. Imóvel

Intacta retina, disfunção ocular

A reverberação disso

É a cegueira.

É não crer em mais nada que a tal verdade

É ter esse limite que te anula

Ser, não é estar, é sentir

É perceber todas as minúsculas observações

Que completam lacunas dentro de si

E quando não exercemos essas pequenas funções

Estamos simplesmente desaparecendo

Como um grito que se desfaz sobre o ar

Sem volume, sem peso, sem catatonia.

A grande guerra, não é enfrentar o mundo

É ter essa batalha dentro de si

Essa catástrofe que atropela tudo

E só deixa o caos.

Mesmo assim, prefiro estar em guerra

Pois já não há paz dentro mim

Só tenho essa vontade de transcender

Para um sossego, que esta além desta realidade

Feche os olhos, e encontre a tua paz

E a tua guerra.

Guilherme Radonni

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Escafandro.


Egocentrismo.

Foi feito. E sobre isso nada mais posso fazer

Incorrigível maneira de olhar as cores

Ontem multicolorido, policromia nostálgica

Hoje cinza manchado com sangue.

Não posso exercer todas as pequenas funções

Que estão dentro mim

Pois apenas estão, e estar é diferente de ser

Mas ainda sim, sou qualquer coisa torta

Que achava ter encontrado

A tão sonhada sincronia

Mas isso não se dá entre humanos

Achei apenas um outro pedaço do fim do mundo

E pensei que este pedaço era igual a mim

Mas nada é igual á alguém

E quando percebi isso

Já era tarde, as horas já haviam me esgotado

E agora? Não posso voltar, não posso partir

Apenas me resta o resto do tempo

E este outro pedaço que achava ser uma parte externa de mim

Mas era apenas meu reflexo dentro dos olhos de alguém

Sinto saudades do meu eu antes disso

Da minha singularidade

Que eu inutilmente tornei plural

Dividi com fêmeas que não sabem o que é ser o homem

E agora uma esta morta

A outra já nem reconheço

E a ultima esta muito longe pra servir de porto.

Me afoguei no oceano que eu mesmo criei

Estou naufragado em uma ilha deserta

Uma ilha de mim mesmo

E os únicos barcos que confiei

Me deixaram sozinho ante do final.

Como diz uma voz branca

“O de joelhos fortes, é forte e poderoso de mais para querer dividir”.

Mas só se pode dividir quando se há o que dividir

E no meu caso só tenho joelhos não é?

E seu eu dividir os meus joelhos

Não tenho como sair desta ilha

Pelo menos não nadando

E se já não tenho barcos, nem porto

O que me resta é o mar

E sinto muito, não vou dividir mais o oceano

Pois da ultima vez que fiz isso

Vim parar aqui, nessa ilha abandonada

Chamada “Eu”.

Guilherme Radonni