domingo, 22 de outubro de 2017

Ilha












A solitude é uma paisagem
Que só pode ser apreciada
Por aquele que se rendeu
A velha ilha da solidão
E encontrou num mar tão fundo
O abraço que preenche
O barco vazio do próprio coração
Perdido num peito naufragado
Entre corais e cardumes
Amores afogados
Mas o amor é o próprio mar
Que dilui todas as ondas da vida
As mais altas e as mais baixas
Se desfazem feito espumas no mar
Como o sal dos olhos
Desaguando feito lágrimas
Para lavar as areias do tempo
Guardadas na ampulheta do destino
Enquanto a vida me vira, de cabeça para baixo
Para me ensinar o que eu ainda não sei
Rema marinheiro, rema...
Que a travessia é longa
Em busca deste porto seguro
Sem mais anzóis para o coração ferir
Mas até lá, quantas vezes
Já fomos pescados pelas redes da ilusão?
É preciso mergulhar mais fundo
Para cavalgar cavalos marinhos
E ir além da ressaca das ondas
Que peneiram a imensidão
Mas a Sereia segue encantando
Mesmo nas noites de temporal
Siga teu canto e encontrara
A estrela que é teu farol.

Guiel.

Guiel.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Diluindo-se


Deixando as molduras
Escorrem aos poucos
Partes de mim que vazam, 
Mostrando o que tenho dentro
Um oceano cheio de pássaros
Que querem dar asas
Ao meus sentimentos
Sem as âncoras
Afogando meu peito
Que ainda esta aprendendo a nadar
E lá no fundo sempre ouve
Não se esqueça de voar
Pois esta é a sina de um coração alado
Mas que tem sede de mais
E peixe quer virar
Só para beber o mar
Que é tão azul quanto o céu
Que foi pintado sem molduras
Para dar asas a criação
Me dilua em tua obra
Para eu ser parte da imensidão.
Guiel

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Desaguar

As vezes canso de remar
Nessa imensidão de águas
Que sem eu perceber
Inundam os meus próprios olhos
E escorrem feito a chuva
Lavando as feridas mais escondidas
Que ainda não cicatrizaram
As vezes arde o peito
Sentir o sal das lágrimas
Corroendo a ilusão
Mostrando a luz e a sombra
Num mesmo espelho
Que sem avisar...me vira do avesso
Navegando de um lado para o outro
Procurando um tesouro perdido
Que pirata nenhum é capaz de encontrar
Quantas vezes já me afoguei
Nessa busca de mim mesmo
Resgatando reflexos que afundaram
Junto com ancoras que viraram areia
E ainda sim, são pesadas de mais
Para o meu pequeno barco
Que navega sem cais
Fazendo da fé um porto seguro
Seguindo o farol que aponta
Para aquela ilha distante
Que fica escondida
Bem no fundo do coração
Me entrego a esse mar
E peço licença pra mergulhar
Sanar meu lamento ingrato
Que pouco sabe sobre amar
Mas rogo para ter folêgo
E nado para aprender
Já que a sina do rio
É desaguar no oceano
Então me entrego a essa correnteza
Que outrora represei
E me lavo nas águas do perdão
Como num banho de riacho
Diluindo todas as barragens
Das água estancadas em mim
E nessa lagoa me decantar
Pra ser lama e voltar ao barro
De onde veio água tão pura
Bebo da fonte que não tem fim
Mas que gota matara minha sede
Do abismo profundo que a em mim
Se eu mesmo sou a tromba d´agua
Que um dia regou o jardim
Hoje só me resta ser o orvalho
Pra evaporar e feito garoa cair
E regar de novo a seca
Do que murchou dentro de mim.

Guiel



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pescador de si

Esse emaranhado que tenho no peito
Feito um labirinto sem saída
Me encurralou de novo
Nos nós dos meus próprios sentimentos
E me expôs ao avesso
Como o amor faz
Quando tira as mascarás
Daqueles que amam
Me deixou nu
Só com a alma e o coração
Até extrair do branco dos meus olhos
O sal que corroí a sombra
Das minhas próprias ilusões

Ah tempo, me ensina a remar
Com as ondas da vida
Sem deixar a ressaca do mar
Inundar meu cais
E ainda sim , mergulhar profundo
Se for preciso salvar o medo
Que afogou o sonho do peito
Sobre as marés da imensidão

E eu feito um peixe
Nadando contra a corrente
Brinco de me perder,
Só para reencontrar
Algo dentro de mim
Que eu nem sabia que estava lá
Como pérolas guardadas em ostras
Esperando para serem abertas
Como o coração de um menino
Que chora e ri ao mesmo tempo
Pescando a si mesmo
Nas águas do coração.

Guiel

terça-feira, 27 de junho de 2017

Para um Grande Girassol de um pequeno Beija-flor


Agradeço ao sopro do vento
Que espalhou tuas pétalas
Pelo jardim do meu peito
Perfumando de novo 
O meu coração de duende
Que viu nos teus olhos de elfo
Um girassol que me encantou
E mesmo de longe
Continuou a me ensinar
Já que para colher tem que plantar
Sigo regando esse jardim
Para o que há de florescer
E enraízo esse amor
No silêncio de cada abraço
No afeto do nosso ninho
E nos sonhos compartilhados
Que me convidam para voar
Me entregar, para abrir as asas
E descobrir de novo o amor
 Entre dois anjos, uma flor que exala
A doçura, o mel e a cor
Lá vem beija-flor
Pra encantar nossa estrada.

Guiel




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Salve Santa Sara Kali !!!



Mãe do manto das estrelas
Que brilham na escuridão
Padroeira do Povo Cigano
Ilumina meu coração

Para nunca me perder
Nas peregrinações da vida
E mesmo quando a noite chegar
Que a luz da lua seja minha guia

Dai-me tua mão Santa Sara,
E me ensina a caminhar
Nessa longa estrada que é o destino
Para eu nunca me desviar

E mesmo quando o vento
Soprar mais forte que a minha fé
Que eu me lembre da tua força
Para manter o amor de pé

Assim como ti
Acompanhada das três Marias
Que foram lançadas as águas
E saíram do mar com vida

Hoje danço e te louvo
Te agradeço e a ti canto
Por abrir os meus caminhos
E me mostrar que sou cigano

Salve o baralho encantado
E o brilho das moedas de ouro
Teu perfume e tuas rosas
E o amor que é o maior tesouro.

Salve Santa Sara Kali e a todos os ciganos!



Guiel.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Asas



Caminho seguindo e as vezes perdido
Me encontro no vão das coisas
Naquela lacuna quase invisível,
Que separa o preto do branco
O sol da lua
A água do fogo
Agora já não posso mais me romper
Se não quebro a ponte que liga o elo
Entre esses dois mundos.
Dentro de mim
Um mar sem fim anseia encontrar
A cura do que nos separa
Mas, enquanto não acho
Tento aliviar as cicatrizes do mundo
Em troca de sanar as asas quebradas
Que um dia fizeram voar meu coração.

Guiel.