quinta-feira, 21 de junho de 2018

Sonhos e Sementes



Sem procurar um ao outro
A vida nos encontrou
De olhos fechados
Enquanto nossos corações se abriam
Numa dança que vai além
Do tempo e do espaço
Brincávamos de enxergar no escuro
Para abraçar as cores dos nossos olhos
Ciganos, viajando pelas ampulhetas do tempo
Sem medo desse tempo acabar
Enquanto os relógios de areia
Nos ensinam a esperar
Para termos de novo
Nosso cheiro se misturando
Dois guerreiros virando crianças
Enquanto tiramos nossas armaduras
Espadas e espelhos
Para sermos novamente um só
Quantas vidas já estive do teu lado?
Ainda sim quero acordar todos os meus dias com você
E mesmo distantes... ainda te sinto em meu peito
A cada vez que me entrego
Ao amor que flui dentro das águas
Termais, como nossos abraços
Quentes feito  o fogo
Que se ascendeu entre nós
Queimando nossos medos
De acreditar nas sementes
Que nosso amor semeou
Me apaixonei por você
Antes mesmo de saber teu nome
Ou de sentir teu beijo tão doce
Que ainda me faz sonhar
Com aquela casa na árvore
Que foi o ninho do nosso amor
Enquanto as araras ainda voam
Sobre nossas cabeças
Hoje te amo, como nunca amei ninguém
E ainda seguro a tua mão,
Como naquela noite em que vimos o sol nascer
E juntos choramos enquanto os pássaros cantavam
Para nos dizer que o amor tem asas
E só precisamos confiar no vento
Que sabe além de nós
Eu sei menino que as vezes é difícil acreditar
Mas lembre-se  de ver com visão ilimitada
Então... já estou com você
Mesmo que aqui seja inverno e do teu lado verão
Mesmo que outros ventos balancem o nosso coração
E ainda que os idiomas confundam nossa voz
E o silêncio da distância ainda ecoe entre nós
Ainda sim me entrego para este sonho crescer
Na Bahia, na Turquia, na Califórnia ou na Sicília
Para mim não importa, desde que nosso amor
Possa simplesmente
Florescer
Enquanto isso preparamos nosso jardim
Tirando os espinhos e as pedras do caminho
Deixando a vida nos ensinar a amadurecer
Regando as sementes que brotaram em nossos sonhos
Sem esquecer daquela flor
Que ainda perfuma o nosso peito.

Guiel







domingo, 17 de junho de 2018

Chama


Aprendendo a brincar
Com o fogo que dança
Nessa eterna chama
Da vida em transformação
E sem me queimar
Me deixar entregar
Ao calor que derrete
A armadura do meu coração
Queimando o medo
De sentir por inteiro
A verdade que arde
Aqui dentro de mim
E consome as lenhas
Galhos e folhas
Do meu passado
Que secaram com o tempo
No jardim da minha alma
Esperando pra ser lançado
No clarão de eternas brasas
E feito uma Fênix
Renascer das próprias cinzas
E voar para além da escuridão
Onde o sol nunca se apaga
Iluminando o breu
Dos meus olhos fechados
Me ensine a ver Avô Fogo
Além da fumaça da ilusão
E enxegar o farol pelo caminho
E não deixar cessar
A luz desse lampião
Alimentar o fogo
Que aquece a coragem,
Do espirto e da verdade,
Sem perder o brilho
E as faiscas da alegria
O desejo de viver
A paixão pela própria vida.
Guiel.
Foto: @Mel Melissa - Instantes

sábado, 9 de junho de 2018

De Ponta Cabeça

Tem dias que parece
Que tudo está de ponta cabeça
E até os pés pisam ao contrário
Tem dias que não queremos acordar
Mas também não conseguimos mais dormir
E aquele sonho que estava tão claro
Se dilui na neblina das nossas inseguranças
Tem dias que parece que as nuvens
São maiores que o sol
Mesmo quando o céu está azul lá fora
E o calor do dia derrete os minutos das horas,
Ainda sim parece que nada mais importa
Quando por dentro, estamos no meio de um temporal
Hoje nem sei de onde veio este vento
E tão pouco quero descobrir
Sinto tudo misturado, confuso e embaraçado
E uma vontade de me esconder de mim mesmo
Me sinto fraco e ao mesmo tempo com raiva
Mas não sei do que, ou talvez não queira ver
Já que meus olhos estão ocupados
Com esta chuva que cai sobre meu rosto
E hoje não lembro aonde guardei meu guarda-chuva
Por isso talvez me tranquei dentro de mim mesmo
Com medo de ninguém entender o que estou sentindo
Já  que nem eu mesmo entendo
Então me isolo no casulo
Da minha própria solidão
Ainda sim disfarço bem o buraco no peito
E faço da poesia um balsamo sobre a ferida
Enquanto tento acalmar
Essa criança que chora
Aqui dentro de mim
Com o abraço deste velho
Que já está cansado de mais
Para se lembrar que só tenho 26 anos
Mas quando olho no espelho
Só vejo minha inconstância
E luto com todas as forças
Para nunca mais me julgar
Aprendendo a me abraçar
Incondicionalmente
Para não guerrear mais
Com as vozes da minha mente
Que as vezes perdidas
Giram em torno de si mesma
Na esperança de sair dos labirintos
Que eu mesmo criei
Por que este lamento todo?
Se só me resta agradecer
Por poder respirar e estar vivo
As vezes me sinto tão ingrato e egoísta
Pelos micro-dramas da minha vida
Mas o que fazer?
Quando os olhos ardem sem ter motivo
E o coração se aperta numa gaiola
Mesmo sabendo que tenho asas
Mas ainda não consigo voar
"Paciência menino, paciência..."
Deixe a vida te lapidar
E nas horas que a dor chegar
Segure forte na mão de Deus
E reze para não soltar
Tem coisas que não se entende
Só se pode sentir
E por mais que vasculhe dentro de si
Nunca vai achar um nome
Para este vazio que as vezes todo mundo sente
Então só aceite e o preencha
Com o seu próprio amor
Pois ninguém pode lhe dar
O que nunca lhe faltou.
Reconheça menino, o homem que tu já é
E busque em sua sabedoria, a coragem que já tens
Para atravessar qualquer ponte
Confiante que não irá cair
E se por acaso o vento lhe derrubar
Não se preocupe, lembre-se que já sabe nadar
Então reme para além das suas emoções
E use a espada que a vida lhe deu
Para romper sem medo
Os véus das ilusões
Para voltar para casa
E pisar descalço na terra
Regar o teu jardim, sem perder mais tempo
Pois sem esforço, não há colheita
E muitos esperam para saciar a fome
Então seja a semente menino,
A árvore e o fruto
Que tu sempre foi
As vezes doce, as vezes amargo
Não importa, pois o que vale
É amadurecer.
E pra isso as vez ficamos de ponta cabeça
Então depois de revirar todo o adubo
Não se esqueça...
Vire a cabeça para cima
E floresça.

Guiel


Foto:
Mel Melissa MaurerFacebook​ - @melmelissamaurerInstagram​ - Mel Melissa Maurer - Instantes
Durante a residência Artistica Ressonâncias da Dança

terça-feira, 5 de junho de 2018

Entrelaçados

Não cabe em meu peito
Tudo o que sinto agora
Por isso transbordo
Essa água que inunda tudo
Aqui dentro de mim
Desaguando os nós
E as amarras do destino
Para poder aceitar  o fio
Que tece a teia de todas as historias
As que vem e as que vão
Mas o que fazer com aquelas
Que no fundo sempre ficam
Como sonhos encontrados
Que não queremos perder?
Quando abrimos os nossos olhos
Para o que chamam de realidade
E vemos na linha do tempo e do espaço
Nossos caminhos se separando
Mas como se separa o coração?
Que continua ligado por um fio tão forte
Que parece rasgar meu peito
Só para uma parte de mim
Voar junto contigo
Para não crer na ilusão da separação
Pois além desta gaiola
O amor cria asas para abraçar a imensidão
Mesmo que hoje meu ninho vazio
Sinta a dor da tua ausência
O teu calor ainda me arde
Feito brasas em meu coração
Onde me entrego
E as vezes me queimo
Para transformar o medo
Que se esconde
Atrás do véu da paixão
Afogando os sonhos da alma
Nas lágrimas que não caíram
Só para lavar as feridas
Que ainda não cicatrizaram
Mas o amor sana tudo
Até o gosto amargo
Que as vezes a vida tem
Entre a doçura das flores
O espinho da rosa me ensina
A amar além do perfume
Que seduz da abelha ao beija-flor
Sou teu ninho e a tua coméia
Enquanto planto teu nome
No jardim do meu próprio peito
Regando os sonhos que enxerguei
No espelho do teu olhar
Enquanto aguardo o tempo
Nos permitir florescer
Para espalharmos as sementes
Que brotaram do nosso amor.

Guiel








sábado, 14 de abril de 2018

Resgate.



Cada vez mais a vida dos homens se torna mais paradoxal e anti-natural, e para retornarmos a nossa essência orgânica teremos de nos reeducar.
Desde a separação do eu e do não-eu estamos vivendo uma eterna busca de auto-realização, pois amputamos de nós aquilo que nos conecta com o universo, nos tornando humanóides individualistas que nunca estão realmente satisfeitos, pois seguimos ou melhor somos condicionados a seguir o fluxo de um mundo onde sempre se busca mais e mais , mas talvez estejamos buscando no lugar errado, tentando sempre encontrar fora de nós, aquilo que só se pode encontrar por dentro, e desta maneira nunca acharemos.
Penso as vezes que a inocência esta ai, em revirar os olhos e se enxergar por dentro, mas sem separações entre o eu e o todo, porque o todo está em nós, está na simplicidade de aceitar as cores do mundo assim como ela são, e não digo do mundo dos homens, mas sim do mundo universal que esta girando junto com todos os outros astros em volta da luz do sol, que nos aquece e ilumina. Tudo é perfeito, a gente que ás vezes não consegue perceber pois criamos um monte de coisas que não necessitamos de verdade, e fizemos de tais coisas necessidades primordiais, quando na verdade elas só nos afastam do que realmente nos contempla; a liberdade de viver para a vida.

Guiel
(14 de Abril de 2012)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Para quem tem tempo para a poesia

Como pode ser tão forte
E ao mesmo tempo tão frágil
Essa sensação inexplicável
De simplesmente estar vivo
De chorar e rir ao mesmo tempo
Vendo as crianças brincarem
Enquanto os velhos adoecem
Junto as flores que se abrem
E a poesia que desabrocha
Em cada coração ferido
Pelas arapucas do destino
Que nos capturam somente para nos ensinar
Aquilo que nem sempre queremos aprender
Pois amadurecer.... é pra poucos
Já que muitos tem medo
De cair do pé e virarem adubo
Mas de que vale ser fruto verde
E não poder ser desfrutado
Ainda sim somos doces e amargos
Os dois lados da moeda
Se olhando no espelho
Procurando ser um tesouro inteiro
Repartido em mil pedaços
Para matar a fome dos que não tem pão
E roubam a cada esquina
A esperança de persistir
Mesmo por linhas tortas
Um dia aprendemos a escrever
Mas a história que nos contaram
Ainda é difícil de conceber
Pois tantos buracos engoliram a verdade
Que é preciso cavar dentro de si
Para encontrar o mapa do que estava perdido
E na natureza a dor, de uma mãe que pede socorro
Aos filhos que ficaram presos
Pelas gaiolas de concreto
E não sabem o que é por os pés no chão
Para sentir o amor de perto
Ao invés disso, se iludem
Com os ponteiros do relógio
Que fazem a multidão correr
Para chegar sempre no horário
Mas não percebem que estão atrasados
Indo atras do trem errado
Vitrines e diplomas, condomínios e enlatados
Nas prateleiras da injustiça
Dos impostos adulterados
Onde o preço cobra caro
Pelo que não vale se pagar
Pois o ar foi dado de graça
Para quem sabe respirar
E a vida só pediu em troca
Cultivarmos o próprio jardim
Mas o asfalto corrompeu
O perfume do jasmim
Hoje choro pelos rios
Que estão tentando vender
Mas Deus também sabe cobrar com juros
A quem não respeita a própria Mãe
E na hora que chegar esta conta
Só rezo para não ter dividas
No mais sigo cantando, espalhando poesias
Pois o que me resta é dançar
Nessa louca ciranda da vida.

Guiel







Viajantes do Peito

Como dois viajantes perdidos
Nos encontramos sem procurar
Caminhos cruzados 
Pelo fio do destino
Num breve suspiro a se entrelaçar
E no vento da última noite
Pela porta do último andar
Teus olhos de Estrela d´alva
Hipnotizaram o meu olhar
A primeira vista
Mas não sei quem viu primeiro
E como se já fossemos velhos amigos
Brincamos de se apaixonar
Num terraço feito de flores
O altar da vida nos consagrou
E naquela madrugada...
Esquecemos de dormir
Só para amanhecer
Como dois estranhos 
Mais íntimos que irmãos
E no triangulo do teu peito
Meu cristal se encaixou
Enquanto o ninho 
Do teu braço direito
Abraçou um beija-flor 
Que em mim voava sem rumo
E de repente simplesmente pousou
Pétalas de rosa, caindo pelo chão
Perfumando a manhã e a estrada 
Da nossa tão breve despedida
Enquanto eu seguia para a montanha
Tua permanecia na frente do mar
E mesmo tão distante
Continuamos sonhando um com o outro
Só para acordarmos juntos
Mesmo sem estar
Reviravoltas do peito
Me fizeram voltar
E mais cigano que eu
Foi a tua loucura
Desapegando das gaiolas
Para seguir o vento do amor
Mas antes, foi o Mar quem confirmou
Nosso beijo salgado
Adoçando as ondas da praia
Mergulhamos um no outro
Sem nem mesmo respirar
E o coração foi navegando 
Sem saber onde ia parar
Então foi aqui, na Cidade dos Cristais
Onde a vida nos lapidou
Enquanto todos diziam
Como eramos iguais 
Nos reconhecíamos num espelho 
Feito de luz e sombra
Enxergamos o amor, a dor e a flor 
Espinhos de rosas vermelhas
Nos ensinando a cultivar
Um jardim tão delicado
Quantos as feridas que viemos curar
Com o veneno do escorpião
Que nos faz ser um só
Misturamos o fel e o mel
Para encontrarmos um antidoto 
Do coração...até a ponta do ferrão
Expomos as nossas fraquezas
Enquanto ficávamos nús
Aprendendo a se expressar
Como crianças correndo
Fomos rápidos de mais
Mas agradeço a cada segundo
Que tecemos um com o outro
E hoje desatamos os nós
Para cada um seguir seu destino 
Das minhas mãos...
Uma pena, um cristal e uma concha
Dos teus olhos...
O brilho de uma gota de lágrima
Lavando a nossa história
Enquanto o nosso olhar
Congelava o passar das horas
O calor do nosso abraço 
Derretia as diferenças...tão iguais
Dois amantes, irmãos do tempo,
Libertando velhas histórias
Para um novo recomeço.

(Para o Menino de Estrela d´Alva)

Guiel