quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Diluindo-se


Deixando as molduras
Escorrem aos poucos
Partes de mim que vazam, 
Mostrando o que tenho dentro
Um oceano cheio de pássaros
Que querem dar asas
Ao meus sentimentos
Sem as âncoras
Afogando meu peito
Que ainda esta aprendendo a nadar
E lá no fundo sempre ouve
Não se esqueça de voar
Pois esta é a sina de um coração alado
Mas que tem sede de mais
E peixe quer virar
Só para beber o mar
Que é tão azul quanto o céu
Que foi pintado sem molduras
Para dar asas a criação
Me dilua em tua obra
Para eu ser parte da imensidão.
Guiel

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Desaguar

As vezes canso de remar
Nessa imensidão de águas
Que sem eu perceber
Inundam os meus próprios olhos
E escorrem feito a chuva
Lavando as feridas mais escondidas
Que ainda não cicatrizaram
As vezes arde o peito
Sentir o sal das lágrimas
Corroendo a ilusão
Mostrando a luz e a sombra
Num mesmo espelho
Que sem avisar...me vira do avesso
Navegando de um lado para o outro
Procurando um tesouro perdido
Que pirata nenhum é capaz de encontrar
Quantas vezes já me afoguei
Nessa busca de mim mesmo
Resgatando reflexos que afundaram
Junto com ancoras que viraram areia
E ainda sim, são pesadas de mais
Para o meu pequeno barco
Que navega sem cais
Fazendo da fé um porto seguro
Seguindo o farol que aponta
Para aquela ilha distante
Que fica escondida
Bem no fundo do coração
Me entrego a esse mar
E peço licença pra mergulhar
Sanar meu lamento ingrato
Que pouco sabe sobre amar
Mas rogo para ter folêgo
E nado para aprender
Já que a sina do rio
É desaguar no oceano
Então me entrego a essa correnteza
Que outrora represei
E me lavo nas águas do perdão
Como num banho de riacho
Diluindo todas as barragens
Das água estancadas em mim
E nessa lagoa me decantar
Pra ser lama e voltar ao barro
De onde veio água tão pura
Bebo da fonte que não tem fim
Mas que gota matara minha sede
Do abismo profundo que a em mim
Se eu mesmo sou a tromba d´agua
Que um dia regou o jardim
Hoje só me resta ser o orvalho
Pra evaporar e feito garoa cair
E regar de novo a seca
Do que murchou dentro de mim.

Guiel



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pescador de si

Esse emaranhado que tenho no peito
Feito um labirinto sem saída
Me encurralou de novo
Nos nós dos meus próprios sentimentos
E me expôs ao avesso
Como o amor faz
Quando tira as mascarás
Daqueles que amam
Me deixou nu
Só com a alma e o coração
Até extrair do branco dos meus olhos
O sal que corroí a sombra
Das minhas próprias ilusões

Ah tempo, me ensina a remar
Com as ondas da vida
Sem deixar a ressaca do mar
Inundar meu cais
E ainda sim , mergulhar profundo
Se for preciso salvar o medo
Que afogou o sonho do peito
Sobre as marés da imensidão

E eu feito um peixe
Nadando contra a corrente
Brinco de me perder,
Só para reencontrar
Algo dentro de mim
Que eu nem sabia que estava lá
Como pérolas guardadas em ostras
Esperando para serem abertas
Como o coração de um menino
Que chora e ri ao mesmo tempo
Pescando a si mesmo
Nas águas do coração.

Guiel

terça-feira, 27 de junho de 2017

Para um Grande Girassol de um pequeno Beija-flor


Agradeço ao sopro do vento
Que espalhou tuas pétalas
Pelo jardim do meu peito
Perfumando de novo 
O meu coração de duende
Que viu nos teus olhos de elfo
Um girassol que me encantou
E mesmo de longe
Continuou a me ensinar
Já que para colher tem que plantar
Sigo regando esse jardim
Para o que há de florescer
E enraízo esse amor
No silêncio de cada abraço
No afeto do nosso ninho
E nos sonhos compartilhados
Que me convidam para voar
Me entregar, para abrir as asas
E descobrir de novo o amor
 Entre dois anjos, uma flor que exala
A doçura, o mel e a cor
Lá vem beija-flor
Pra encantar nossa estrada.

Guiel




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Salve Santa Sara Kali !!!



Mãe do manto das estrelas
Que brilham na escuridão
Padroeira do Povo Cigano
Ilumina meu coração

Para nunca me perder
Nas peregrinações da vida
E mesmo quando a noite chegar
Que a luz da lua seja minha guia

Dai-me tua mão Santa Sara,
E me ensina a caminhar
Nessa longa estrada que é o destino
Para eu nunca me desviar

E mesmo quando o vento
Soprar mais forte que a minha fé
Que eu me lembre da tua força
Para manter o amor de pé

Assim como ti
Acompanhada das três Marias
Que foram lançadas as águas
E saíram do mar com vida

Hoje danço e te louvo
Te agradeço e a ti canto
Por abrir os meus caminhos
E me mostrar que sou cigano

Salve o baralho encantado
E o brilho das moedas de ouro
Teu perfume e tuas rosas
E o amor que é o maior tesouro.

Salve Santa Sara Kali e a todos os ciganos!



Guiel.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Asas



Caminho seguindo e as vezes perdido
Me encontro no vão das coisas
Naquela lacuna quase invisível,
Que separa o preto do branco
O sol da lua
A água do fogo
Agora já não posso mais me romper
Se não quebro a ponte que liga o elo
Entre esses dois mundos.
Dentro de mim
Um mar sem fim anseia encontrar
A cura do que nos separa
Mas, enquanto não acho
Tento aliviar as cicatrizes do mundo
Em troca de sanar as asas quebradas
Que um dia fizeram voar meu coração.

Guiel.



terça-feira, 16 de maio de 2017

Alguém pode me ajudar a silenciar essas interrogações?


Como faz para ser simples?
Sem ignorar o que é complexo
Como faz para não ter expectativas?
E ao mesmo tempo
Não deixar os sonhos se apagarem
Como faz pra se contentar com o mínimo?
Quando se quer o infinito
Como se mantem no presente?
Quando uma parte de você esta ausente
Como voar?
Sem perder as raízes
Como colher as rosas?
Sem se ferir em teus espinhos
Como unir o que é oposto?
E nem sempre complementar
Como responder as perguntas?
Que ainda não tem respostas

(16 de maio de 2016)

Guiel. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ao Movimento































Danço...logo existo!
E abro minhas asas
Para te alcançar
Além do verde da mata
Que baila em segredo
Com a cor dos teus olhos
Girassois a rodar
Ouvindo o encanto
Do canto das águas
Que lava os meus pés
Para seguirem dançando
Por onde quer que esse rio desaguar
Faço promessa...e pago dançando
Com cada gota de suor e lágrima
Que transborda do rio,
Que brota do meu coração
Para me diluir no mar
Que eternamente se move
Balançando as ondas
Que me leva em teu barco
Para juntos sonhar
Já não sou eu, agora quem dança
Mas sim a vida
Dançando em mim.
Abrindo as asas beija-flor me ensina
O amor que dança nesse jardim.
Guiel.

Foto:Mel Melissa


sábado, 6 de maio de 2017

Prece as despedidas.

Despeço. Sem medo. Sem choro. De tudo que me amarra, enlaça, me volta pra dentro do que não me sou. Despeço! Peço que me livre de todo mal que construí e construíram em mim, peço o meu desmoronar! Quero me desfazer para assim desenhar tudo que, de fato, seja cada cor minha. Deixo ir, e olho a ida pelo horizonte dos meus traumas, das opressões vividas, dos descuidos alheios e inclusive de todos os preconceitos provindos dos meus antepassados. Deixo, com muito respeito, apenas o que for da real sabedoria da terra, da simples e grandiosa TERRA. É preciso zerar. É precioso o agora. Quero ser a liberdade. Do corpo, da alma, do amor... Descubro [me]. E é bela, a minha real(idade). 
Peço liberdade para todas as realidades! Que sejamos plenos, apenas, dos fluxos que as horas não contabilizadas pelo homem nos dão. Recebo e aceito a nudez, para, aos poucos, vestir me de mim mesma. Agradeço cada segundo vivido, mas, preciso ir. Levarei apenas o que acredito.
Que assim seja, se for de assim, o ser.

(Já não aturo, nem sequer, olhares de certezas demasiadas levantadas a partir dessa utopia externa de como se deve viver!)
Meus caminhos sempre têm algo a me dizer.


Tábatta Iori
Um inseto pousou em mim,
antes disso
ele colidiu fortemente com meus olhos.
Em pequeno sobre-salto
a vida pausou
para entender o que havia.
No instante primeiro tive receio,
ele era muito diferente
de mim,
depois...
o tentei apalpar
e dar base para seu vôo.
Sem sucesso, ele quis continuar suas horas
apoiado em mim.
Me olhava.
E
de repente
era apenas eu e ele
no mundo.
Mais nada.
Em fragmentos rápidos do viver
aquele ser
acolheu minha presença
e me fez ser companhia.
E no mesmo ligeiro e faceiro estar
ele
partiu...
Voou para outros rostos
sem me deixar despedir.
Que sonho de idas e vindas...
Que dor é o sonhar!
Em um estalo está.
Em outro...
Se vai.
Com asas de lembranças.
Em qualquer dia desses, aquele minúsculo ser atravessou meus dias. Me fez amar, me fez sofrer, me fez...
vida.

Tábatta Iori

Fotografia: Everton Lampe (Tinho)

terça-feira, 25 de abril de 2017

???

Quem consegue entender
Pode tentar me explicar?
As voltas do mundo
O ritmo do tempo...
O vai e vem das ondas,
O sentido do vento
O canto de um pássaro
O buraco no peito.
Guiel

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Maré

As vezes é preciso recuar,
Para depois avançar,
Assim como as marés
Que nunca param de dançar
Me ensinem por favor
A hora certa de cada coisa,
Pois as vezes me diluo
No meio da imensidão,
E se perdemos a bussola,
Não escutamos o coração
É tanta intensidade
Que as vezes sinto um tsunami
Dentro do mar que existe em mim
Mas as mesmas águas que geram
São capazes de destruir
Se não medidos a própria força
Para o amor sempre fluir

Guiel.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Olhos de Isis


Tantas chuvas já cairam
Depois de você ter fechados os olhos
Quanto tempo já passou
Sem você dançando comigo
Ainda sim tua lembrança
Se reflete em meu olhar
E nenhuma lágrima foi mais funda
Do que aquelas que derramei para te lavar
Afogo a saudade da inocência perdida
Nos atos e retratos
Que escrevemos em nossos corpos
Personagens e cenários
Que tua dança desenhou em mim
Nossos passos foram além do fim
Muito além da fronteira
Que seus pés insistiram cruzar
Te perdi num labirinto
Pra te encontrar nas mãos do infinito
E hoje eu te abraço deste outro lado
A cada vez que a arte transborda em meu coração
Te agradeço pelo sacro-oficio
Que descobri junto a ti
Da morte o renascimento
Nos ensinando a honrar a vida
Já que o espetáculo não pode parar
E o black-out só anuncia o próximo cápitulo
Põem tua saia de flores menina
Que o tambor já vai rufar
Num cortejo de anjos
Vejo a Neguinha passar
Giram penas e colares
Colorindo um novo mundo.
Segue dançando pelo caminho
Até que a arte nos Salve.
Para aquela que mudou para sempre
o meu sentido de viver.
Guiel

14/04/2015

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Farol

Mais um reflexo de mim
Hoje a Lua me mostrou
E por de traz do véu
Que um dia nos separou
Fez-se o espelho da noite
Clareando a escuridão
E por dentro da fenda
De onde todos nós viemos
Retornava para o colo
Que abraça o feminino
Curando antigas feridas
No útero da criação
Derrubando lagrimas salgadas
Que regava a flor do perdão
Nos dois lados da balança
O coração segue aprendendo
A dar e a receber
Honrado as duas mãos
Mas o equilíbrio é uma arte
Que não se aprende de uma só vez
Pois é preciso ser forte
Sem perder a fluidez
Ter entrega e ter coragem
Sem perder a sensatez
Olhar além do próprio umbigo
Sem esquecer de cuidar do teu
Essa dança tão sagrada
Feito a Lua que reflete o Sol
Nos ensina santa estrela
A seguir este farol
Que aponta para o meio
Onde a paz tem o seu lugar
E os dois lados que há em nós
Juntos possam descansar.

Guiel






domingo, 9 de abril de 2017

Travessias

As vezes me sinto atravessando
Um corredor tão estreito
Como um labirinto desconhecido
Cheio de curvas e passagens secretas
Mas que estão me fazendo descobrir
Tantos lugares aqui dentro de mim
Que até o próprio coração se perde,
E se aperta para relembrar o caminho
De tudo aquilo que eu ainda tenho de aprender
Para poder florescer
E a minha essência
Eu simplesmente ser
Mas leva tempo pro coração amadurecer
Ou pra gente entender a semente
Que traz dentro do peito
Mas a vida ensina a cultivar
Só não aprende...
Quem não gosta do mel da flor
E os espinhos, todo mundo  já conhece
Então chega de sangue
Pois ainda é puro o vermelho da rosa
Quem foi que deixou o medo
Tingir as lágrimas no lugar do orvalho?
Beija-flor quem me cura
Pra eu seguir dançando esse bailado
Com essa música que me surpreende
Cada vez que acho que encontrei o ritmo
Retumba no peito
Um amor que já nem cabe mais lá
E por isso tem que voar
Pra espalhar por ai
O calor de dentro do ninho
Voa passarinho, e me perdoa por te trancado
Dentro das gaiolas das minhas incertezas
Pois o medo da liberdade
É não saber para onde voar
Me ensina... até onde minhas asas podem chegar
Estrela quem me guia, mesmo no breu da escuridão
Pois hoje sei que todos os ventos
Vão e vem do mesmo lugar
Do sopro do amor
Que nunca se cansa de entoar
A poesia que esta escrita
Em cada canto que o coração puder olhar

Guiel

Gratidão a todos que estão me ensinando a abrir minhas asas!









domingo, 2 de abril de 2017

Nós

Gira a roda da vida,
Mostrando caminhos
Por onde um dia deixei pegadas
Em cada passo
Um pedaço de mim
Marcas que só o tempo apaga
Tantas indas e vindas
Para aprender silenciar
O medo e a voz da culpa
Que tiram a paz do seu lugar
Um dia fui lenha
Ferida pelo machado
Hoje sou o calor da brasa
Queimando historias do passado
Que ainda ardem dentro do peito
Mas se libertam em meio a fumaça
Dando asas ao coração
Que encontra onde pousar
Sobre o ninho do perdão
Onde o amor volta a cantar
Hoje te acolho
De volta nos meus braços
E no espelho dos olhos
Que nos faz reencontrar
A parte que fico perdida
No fundo do teu olhar
Desatando os nós da alma
Para poder de volta seguir
Cada um o teu caminho
Nessa estrada que não tem fim.

Guiel


segunda-feira, 27 de março de 2017

Encanto


Voltas que o vento deu
Vindas que a vida dá
Quando a gente menos espera
O coração torna a pulsar
E te surpreende com um sopro tão leve
Recordando o encanto de uma flor
Que de pétala em pétala desabrocha
E exala o teu perfume e a tua cor
Pintando os olhos que se misturam
Entre o mistério do desconhecido
E a intimidade do afeto
Que faz dois peregrinos distantes
Se cruzarem tão de perto
Caminhos que se entrelaçam
Feito os dedos e as palmas das mãos
Que buscam no sabor das palavras
O silêncio da respiração
Num abraço que acolhe
As fronteiras entre eu e você
Nos diluimos em meios aos beijos
Que faz o tempo parecer se estender
Só para esquecermos que o amanhã
Ainda é longe quando temos o agora
Então só nos resta dançar
Mesmo quando não tem música lá fora
Assim descobrimos o ritmo
De quando minha pele toca a tua
E num ninho de aconchego
Nos deitamos junto a lua
Como pássaros aninhados
Minhas asas sobre as suas
Que o sol já vem raiando
Acordando toda a rua
Despertando entre caricias
O teu cheiro me traz de volta
Já levanta novo dia
Logo mais já vai se embora
Mas fica dentro do peito
Uma parte que não sai agora
Como flor que o vento traz
E um dia também leva
Mas o perfume fica e não vai
Pois o encanto é o que preserva.

Guiel









quinta-feira, 16 de março de 2017

Coração Cigano


Coração Cigano pelo mundo afora
Vento que me trouxe e me leva embora
Que a viagem é longa e o tempo  não para
Mas não vou sozinho eu vou com Santa Sara

Coração cigano do espinho a rosa
Coração que ri, coração que chora
Buscando um amor, que não esta fora
E já não cabe dentro, aonde esta agora...

Me diz beija flor, que já sabe  voar
Beijando as flores, sem se apegar
Qual é o segredo desse jardim
Toda flor que nasce sempre tem seu fim

Lágrimas que lavam
Os olhos da dor
Caí e rega a terra
Nasce um novo amor.

Coração Cigano pelo mundo afora
Vento que me trouxe e me leva embora...

Guiel



quarta-feira, 8 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sonhos de um peixe alado

Essa noite antes de mergulhar
Para dentro de mim mesmo
Senti um silêncio tão profundo
Embalando meu corpo
Como as ondas do oceano
Que envolvem o destino dos barcos
Então de olhos fechados
O mar inundou os meus sonhos
Abrindo as portas daquele outro lado
Feito de água e puro mistério
Entre o vai e vem das marés
Eu era arrastado junto a outros homens
Que remavam para não se afogar
Desbravando a força das ondas
Em busca do desconhecido
Nos lançávamos em direção ao mar aberto
Determinados a encontrar,
O que havia se perdido
Foi quando a revolta das águas
Se ergueu feito um muro
Desaguando sobre nós
Um clarão de água e sal
E por de traz daquele véu azul
Surgiu um ser translucido
Feito o brilho de um cristal
Como um peixe alado
Que deslisava por entre os fios de água,
Nadadeiras e asas, que saltavam e mergulhavam
Me confundindo entre as alturas e as profundezas
Que por um segundo se fundiram na linha do horizonte
Fazendo o tempo parar por um instante
E no limiar que separava a luz da escuridão
O teu olhar se cruzou com o meu
E o peixe de asas
Me atravessou por inteiro
Como um farol rasgando a noite
Fazendo emergir sentimentos distantes
Como estrelas a brilhar na imensidão
Então alcei um arco e flecha prateado
Que repousava em uma de minhas mãos
E sem pensar ou mesmo mirar
Num impulso diluido em encantamento
Lancei a flecha que saia do meu peito
Em direção ao coração do peixe alado
Sinto que  naquele momento
Acertei a mim mesmo
Como se estivesse caçando uma parte minha
Perdida nos mares do esquecimento
Nos sonhos de infância
Nas aventuras e fantasias de criança
Que tentaram me fazer não acreditar
Mas ainda sim, sobreviveu dentro de mim
Quase afogado sobre memórias, anseios e revoltas
Aquele ser encantado,
Ainda habitava o meu oceano interior
Meio peixe, meio pássaro
Que não podia ser pescado
Muito menos capturado
Pois no seu intimo
Ele era livre para ser o que quiser
Mergulhar ou voar, o que importa...
É se entregar para ser o que se é
Sem ter que escolher
O azul do céu, ou azul do mar
Pois no fundo
Bem no fundo
Tudo é azul.

Guiel









Pó de estrelas


Venha ver a lua que brilha sobre nós
Antes das estrelas se apagarem
Antes do eclipse começar
E me desvende
Antes do dia amanhecer
Antes do sonho despertar
Abro minhas portas e janelas
Para você me atravessar
Como uma estrela cadente
Viajando pelo céu
Que há dentro de mim
Mesmo no mistério da escuridão
Ainda há muita luz para ser descoberta
Então não tenha medo
De mergulhar para dentro
Pois lá fundo
Somos todos iguais
Feitos da mesma poeira
Do mesmo pó de estrelas
Que um dia se espalhará de novo
Para iluminar a escuridão!
Venha antes que a porta se feche
Venha ver a lua que brilha sobre nós!
Guiel


Transmutar-se.


Por dentro e por fora
Para relembrar do que foi esquecido
Para renovar o propósito do destino
Dando asas ao pés pelo caminho
Que se desfaz, cada vez que perco o sentido
E ainda perdido, me encontro de novo
Como a serpente que morde o próprio rabo
Do veneno, segue a roda da cura
E das escamas do passado
As cores do renascimento
Chameja em mim a luz violeta
Que alumia a sombra
Onde dormia a imensidão
Metamorfose da lagarta
A se libertar do próprio casulo
Para dar asas ao novo
Que floresce dentro de mim.

Guiel


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Brasa

O que fazer desse coração
Que não para de pulsar
Que arde feito brasa
E queima tudo dentro de mim
Como um vulcão que me devasta
Ao mesmo tempo que me transforma
Me ascende em lava
E me lança para fora
Só para me derreter inteiro por dentro
E me fazer se render
Para tudo aquilo
Que já não cabe mais em mim
E feito música...
Transborda pela minha boca
E escorre pelos meus olhos
Me fazendo enxergar de novo
Tudo aquilo que já esqueci
Tem tanto amor no meio da dor
Como tintas que se misturam
E tingem aquilo que perdeu sua cor
Como aquarela se diluindo
Num coração de papel.

Guiel

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bússola

É preciso coragem
Para seguir o próprio caminho
E mesmo sem direção
Confiar nas curvas do destino
Mesmo quando a incerteza
Te encurrala em passagens estreitas
Confiar e se entregar
Sem ter medo do que virá
Pois é na sombra do desconhecido
Que reluz a luz do novo
Então é preciso acreditar
Para ir em busca dos teus próprios sonhos
Ir além dos ideais da mente
Para reencontrar o propósito do espirito
Seguindo a bússola da vida
Que sempre nos levará
De volta ao coração
Só para nos religar
Ao Grande Mistério que em tudo está
E reconhecer em nós mesmo
Essa fonte de infinitas possibilidades
Que sempre sopra através do vento
Dando força as asas
Que buscam liberdade.

Guiel