sábado, 14 de abril de 2018

Resgate.



Cada vez mais a vida dos homens se torna mais paradoxal e anti-natural, e para retornarmos a nossa essência orgânica teremos de nos reeducar.
Desde a separação do eu e do não-eu estamos vivendo uma eterna busca de auto-realização, pois amputamos de nós aquilo que nos conecta com o universo, nos tornando humanóides individualistas que nunca estão realmente satisfeitos, pois seguimos ou melhor somos condicionados a seguir o fluxo de um mundo onde sempre se busca mais e mais , mas talvez estejamos buscando no lugar errado, tentando sempre encontrar fora de nós, aquilo que só se pode encontrar por dentro, e desta maneira nunca acharemos.
Penso as vezes que a inocência esta ai, em revirar os olhos e se enxergar por dentro, mas sem separações entre o eu e o todo, porque o todo está em nós, está na simplicidade de aceitar as cores do mundo assim como ela são, e não digo do mundo dos homens, mas sim do mundo universal que esta girando junto com todos os outros astros em volta da luz do sol, que nos aquece e ilumina. Tudo é perfeito, a gente que ás vezes não consegue perceber pois criamos um monte de coisas que não necessitamos de verdade, e fizemos de tais coisas necessidades primordiais, quando na verdade elas só nos afastam do que realmente nos contempla; a liberdade de viver para a vida.

Guiel
(14 de Abril de 2012)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Para quem tem tempo para a poesia

Como pode ser tão forte
E ao mesmo tempo tão frágil
Essa sensação inexplicável
De simplesmente estar vivo
De chorar e rir ao mesmo tempo
Vendo as crianças brincarem
Enquanto os velhos adoecem
Junto as flores que se abrem
E a poesia que desabrocha
Em cada coração ferido
Pelas arapucas do destino
Que nos capturam somente para nos ensinar
Aquilo que nem sempre queremos aprender
Pois amadurecer.... é pra poucos
Já que muitos tem medo
De cair do pé e virarem adubo
Mas de que vale ser fruto verde
E não poder ser desfrutado
Ainda sim somos doces e amargos
Os dois lados da moeda
Se olhando no espelho
Procurando ser um tesouro inteiro
Repartido em mil pedaços
Para matar a fome dos que não tem pão
E roubam a cada esquina
A esperança de persistir
Mesmo por linhas tortas
Um dia aprendemos a escrever
Mas a história que nos contaram
Ainda é difícil de conceber
Pois tantos buracos engoliram a verdade
Que é preciso cavar dentro de si
Para encontrar o mapa do que estava perdido
E na natureza a dor, de uma mãe que pede socorro
Aos filhos que ficaram presos
Pelas gaiolas de concreto
E não sabem o que é por os pés no chão
Para sentir o amor de perto
Ao invés disso, se iludem
Com os ponteiros do relógio
Que fazem a multidão correr
Para chegar sempre no horário
Mas não percebem que estão atrasados
Indo atras do trem errado
Vitrines e diplomas, condomínios e enlatados
Nas prateleiras da injustiça
Dos impostos adulterados
Onde o preço cobra caro
Pelo que não vale se pagar
Pois o ar foi dado de graça
Para quem sabe respirar
E a vida só pediu em troca
Cultivarmos o próprio jardim
Mas o asfalto corrompeu
O perfume do jasmim
Hoje choro pelos rios
Que estão tentando vender
Mas Deus também sabe cobrar com juros
A quem não respeita a própria Mãe
E na hora que chegar esta conta
Só rezo para não ter dividas
No mais sigo cantando, espalhando poesias
Pois o que me resta é dançar
Nessa louca ciranda da vida.

Guiel







Viajantes do Peito

Como dois viajantes perdidos
Nos encontramos sem procurar
Caminhos cruzados 
Pelo fio do destino
Num breve suspiro a se entrelaçar
E no vento da última noite
Pela porta do último andar
Teus olhos de Estrela d´alva
Hipnotizaram o meu olhar
A primeira vista
Mas não sei quem viu primeiro
E como se já fossemos velhos amigos
Brincamos de se apaixonar
Num terraço feito de flores
O altar da vida nos consagrou
E naquela madrugada...
Esquecemos de dormir
Só para amanhecer
Como dois estranhos 
Mais íntimos que irmãos
E no triangulo do teu peito
Meu cristal se encaixou
Enquanto o ninho 
Do teu braço direito
Abraçou um beija-flor 
Que em mim voava sem rumo
E de repente simplesmente pousou
Pétalas de rosa, caindo pelo chão
Perfumando a manhã e a estrada 
Da nossa tão breve despedida
Enquanto eu seguia para a montanha
Tua permanecia na frente do mar
E mesmo tão distante
Continuamos sonhando um com o outro
Só para acordarmos juntos
Mesmo sem estar
Reviravoltas do peito
Me fizeram voltar
E mais cigano que eu
Foi a tua loucura
Desapegando das gaiolas
Para seguir o vento do amor
Mas antes, foi o Mar quem confirmou
Nosso beijo salgado
Adoçando as ondas da praia
Mergulhamos um no outro
Sem nem mesmo respirar
E o coração foi navegando 
Sem saber onde ia parar
Então foi aqui, na Cidade dos Cristais
Onde a vida nos lapidou
Enquanto todos diziam
Como eramos iguais 
Nos reconhecíamos num espelho 
Feito de luz e sombra
Enxergamos o amor, a dor e a flor 
Espinhos de rosas vermelhas
Nos ensinando a cultivar
Um jardim tão delicado
Quantos as feridas que viemos curar
Com o veneno do escorpião
Que nos faz ser um só
Misturamos o fel e o mel
Para encontrarmos um antidoto 
Do coração...até a ponta do ferrão
Expomos as nossas fraquezas
Enquanto ficávamos nús
Aprendendo a se expressar
Como crianças correndo
Fomos rápidos de mais
Mas agradeço a cada segundo
Que tecemos um com o outro
E hoje desatamos os nós
Para cada um seguir seu destino 
Das minhas mãos...
Uma pena, um cristal e uma concha
Dos teus olhos...
O brilho de uma gota de lágrima
Lavando a nossa história
Enquanto o nosso olhar
Congelava o passar das horas
O calor do nosso abraço 
Derretia as diferenças...tão iguais
Dois amantes, irmãos do tempo,
Libertando velhas histórias
Para um novo recomeço.

(Para o Menino de Estrela d´Alva)

Guiel