sexta-feira, 13 de abril de 2018

Para quem tem tempo para a poesia

Como pode ser tão forte
E ao mesmo tempo tão frágil
Essa sensação inexplicável
De simplesmente estar vivo
De chorar e rir ao mesmo tempo
Vendo as crianças brincarem
Enquanto os velhos adoecem
Junto as flores que se abrem
E a poesia que desabrocha
Em cada coração ferido
Pelas arapucas do destino
Que nos capturam somente para nos ensinar
Aquilo que nem sempre queremos aprender
Pois amadurecer.... é pra poucos
Já que muitos tem medo
De cair do pé e virarem adubo
Mas de que vale ser fruto verde
E não poder ser desfrutado
Ainda sim somos doces e amargos
Os dois lados da moeda
Se olhando no espelho
Procurando ser um tesouro inteiro
Repartido em mil pedaços
Para matar a fome dos que não tem pão
E roubam a cada esquina
A esperança de persistir
Mesmo por linhas tortas
Um dia aprendemos a escrever
Mas a história que nos contaram
Ainda é difícil de conceber
Pois tantos buracos engoliram a verdade
Que é preciso cavar dentro de si
Para encontrar o mapa do que estava perdido
E na natureza a dor, de uma mãe que pede socorro
Aos filhos que ficaram presos
Pelas gaiolas de concreto
E não sabem o que é por os pés no chão
Para sentir o amor de perto
Ao invés disso, se iludem
Com os ponteiros do relógio
Que fazem a multidão correr
Para chegar sempre no horário
Mas não percebem que estão atrasados
Indo atras do trem errado
Vitrines e diplomas, condomínios e enlatados
Nas prateleiras da injustiça
Dos impostos adulterados
Onde o preço cobra caro
Pelo que não vale se pagar
Pois o ar foi dado de graça
Para quem sabe respirar
E a vida só pediu em troca
Cultivarmos o próprio jardim
Mas o asfalto corrompeu
O perfume do jasmim
Hoje choro pelos rios
Que estão tentando vender
Mas Deus também sabe cobrar com juros
A quem não respeita a própria Mãe
E na hora que chegar esta conta
Só rezo para não ter dividas
No mais sigo cantando, espalhando poesias
Pois o que me resta é dançar
Nessa louca ciranda da vida.

Guiel







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