sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Desconfiguração

Eu estava lá

Ao mesmo tempo em que estava aqui

Eu era parte de um todo e era tudo

Como uma dança improvisada

E no lugar dos pés, sensores

E no lugar das mãos, antenas

Tudo como uma conexão

Percepção de falsa realidade

No rosto sentia o vento

Furando a pele, escorrendo como água

Vazei sobre o asfalto

O que perdi ainda esta lá

O que ganhei já foi perdido

Nada é de concreto.

Digo isso porque o chão

Se movia como se fosse uma linha de som

Uma trilha branca

Regendo um cenário de vários planos num só

Mas só eu enxergava isso

O resto, o grande público

Insistia em ficar lá. Imóvel

Intacta retina, disfunção ocular

A reverberação disso

É a cegueira.

É não crer em mais nada que a tal verdade

É ter esse limite que te anula

Ser, não é estar, é sentir

É perceber todas as minúsculas observações

Que completam lacunas dentro de si

E quando não exercemos essas pequenas funções

Estamos simplesmente desaparecendo

Como um grito que se desfaz sobre o ar

Sem volume, sem peso, sem catatonia.

A grande guerra, não é enfrentar o mundo

É ter essa batalha dentro de si

Essa catástrofe que atropela tudo

E só deixa o caos.

Mesmo assim, prefiro estar em guerra

Pois já não há paz dentro mim

Só tenho essa vontade de transcender

Para um sossego, que esta além desta realidade

Feche os olhos, e encontre a tua paz

E a tua guerra.

Guilherme Radonni

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