quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desarranjo dos arranjados.

Como?
Me diz como posso ter aquilo que minhas mãos não alcançam
Aos olhos, soa como miragens de outrora
E nem contemplação basta para cessar tal vontade,
Tal devoção já se tornou maior que eu,
Escorre pela ponta dos dedos
E vaza a cada centímetro perfurado
Dance comigo, te embalo na valsa da eternidade
Enquanto gravo teus movimentos numa lembrança sem fim
Vamos, deixe-se deitar sobre o torço que te louva
Rogo teus seios, teus olhos
E cada centímetro de cobre de teus cabelos
Seja minha, enquanto o resto
Torna-se restante e sem relevância
Mais antes me explica como posso ter o que não é meu
Carne alheia que não me pertence, sentimento voraz que me consome
E nem sequer existe para o que é recíproco.
Triste existência, que me confunde o peito
Não sei amar, não sei cantar
E também não sei ser mais do que eu
E se isso não bastar?Passo a eternidade sem teu semblante
Tal veredicto torna minha sentença devastadora
Arde-me os olhos pensar que não poderei te ver
A cada passar de hora, a cada termino de dia, a cada devaneio roubado
Do cheiro doce da pele tua.
O que fazer se não te encontrar nesta vida?
Como posso sentir incomensurável saudade
Daquilo que nunca tive, daquilo que nunca me tocou os dias
Me explica como.
Como posso amar aquilo que nunca existiu?
Vá embora fugaz dor a me apertar às entranhas
Desapareça do meu peito,
Antes que dor maior manche minhas mãos de vermelho
Não sou tão grande para suportar tal tormento
E se não pode estampar minha pele com a tua
Então não tinja meus minutos de dor e vazio
Fome, tenho fome.
Suplico para cessar-me tal lacuna, antes que ela me cesse
Amor não é um sentimento
È um dom, dom esse que não tenho
Dom esse que sou isento,
Sofrimento, tortura de não ter o que lhe cabe
O que lhe serve
E a mim,
Só você me serve, só você me cabe
E se não te terei nessa vida
Calo tal vazio, com aquilo que se chama
Silencio, manchado de vermelho
Estacado no peito
E ferido em meu leito.
Mas antes me explica como.

Guilherme Radonni

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