domingo, 6 de novembro de 2011

O espaço entre dois astros e o cometa tétrico

Naquela noite em que as estrelas furavam o céu
E a transparência dos meus olhos refletiam a brancura da lua
Metaforizando-me como um corpo transluzente
E me unindo em sincronia a valsa interplanetária,
Pude sentir o que era etérico transbordando de mim
Esvaziando meu corpo, trocando de órbita... e nessa transfusão,
Descobri um vácuo do tamanho de um grão
Uma lacuna estreita, onde um meteoro me atropelou sem eufemismo
Deixando de herança o seu rastro flamejante
Fincado no espaço do meu próprio espaço.
Acho que no exato instante,
Fui o mais triste que já consegui ser
E não por estar sendo mutilado por um astro
Mas por descobrir em meu próprio vácuo
A distância que sinto de você
Logo de você, que nunca nem vi
Que nunca apertei na dança de meus braços
Não sei como é, e nem como canta
Nem sei que cheiro tem,
Quando descansa sobre a sombra
Mesmo assim te tenho em mim
Como a certeza que rege a gravidade
Esperando que a lei da atração
Me leve para perto de tua particularidade.

(Para um planeta [não] tão distante).

Guilherme Radonni.

Poema de Obséquio aos (Pingos) de (Cores) que (Ventam) na (Aura).

Pingos,

Que despencam do branco do céu

Lavem com cor, o que é mancha da alma

Mancha que carbura, e se transmuta em cinzas

Cinzas que o tempo, desgasta á poeira

E o que é poeira...O tempo arrasta quando venta.

Vento,

Que surge continuo da curva do mundo

Arrasta de mim

O que é poeira já morta

Para só o que for vivo

Radiar a minha aura.


Aura,

Que guarda em transparência os tons do sentir

Que estampa á sete cores o interior de ti

Eleva a memória e preserva o que for luz

Desalenta o caminho do caos

E com cores me conduz.

Cores,

Que pintam os riscos dos quadros da vida

Que refletem nos olhos,

O encanto das retinas

Formem mosaicos, mandalas e trilhas
Enquadre espirais...colorindo o meu dia

Guilherme Radonni.


Girando


A espiral que lavou a poeira cósmica
Que havia em minha carcaça
Seguiu girando pelo espaço sem fim
Criando um redemoinho de liquido etéreo
E condensando sua extremidade na superfície da terra
Em que minhas raízes se cravavam,
Quase que magneticamente.
Naquele instante, fui matéria transmutada
Fui Ar que sustenta Fogo
Chama que ilumina Terra
Jarro de barro que chora Água
E corre buscando mar e floresta.
Talvez o tempo estivesse inerte
E nessa inércia o peso da existência
Gravitando no abismo do meu pensamento
Refletindo expansão de corpos celestes
E me equilibrando sincronicamente no fluxo do eixo.
Salve a espiral!


Guilherme Radonni

Cidade

Carcaça vertical de concreto
Que cobre o vão do céu
Com vidraças velozes
E derrama teus cacos nos olhos do tráfego
Sujando de cinza o que antes era cor
Espreitando a via e o fluxo
Para o velho descompasso
De pés que se cruzam e nunca se encontram.
E dessa ordem ao contrario
Deturpação sonora
Ecoando nos sensores
Como sinfonia de ruídos.
“Alô, alô...tem alguém me escutando?”
Interferência dissonante na comunicação
Talvez sejam os pombos dançando nos fios
Ou o silêncio dos mendigos
Que dormem se inclinando nos postes.
Quem sabe estejam todos camuflados no cinza do ar,
E por isso não se notam
Como uma multipluralidade invisível
Um cardume de gente que não se vê
Chegamos então. Rua sem saída!
E se todos no labirinto de pedra
Fossem literalmente cegos?
Talvez se enxergariam...

Guilherme Maciel.

domingo, 28 de agosto de 2011

Poesia de louvação aos astros



No intocável silêncio da noite
Ouvi a poesia quieta do espaço

Onde as estrelas sensíveis piscavam

Diante de pupilas dilatadas

Eis a valsa do mundo

No ritmo degenerado dos planetas

Sem misantropia ou lógica

Somente a luz da galáxia cadente

A derramar o leite lunar em meus olhos
Queria saber da onde vem esta fascinação pelos astros
Quando era pequeno queria ser astronauta

Hoje inclino a cabeça e me embriago com o céu

Um dia verei um vão se abrir no infinito do espaço

E sem pensar me lançarei num mergulho ao contrario


Só para me perder no universo latente.


Guilherme Radonni




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E sempre achei que o furacão não coubesse em mim...

O que significa o laranja amor ?

Queria eu sugar a sua humanidade
e conhecer o seu espírito.

- que dê tempo de mostrarmos a pureza que perdeu-se a tempos em cada ser.

Sempre ouço o som da sua música...

Faço amor com você a cada olhar,
e faço olhares de amor a cada toque.



O que faremos hoje do nosso dia? Amor.

Tábatta Iori

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vinte e quatro cacos.



Estava no 24º andar


De um edifico vazio


No meio de uma tarde laranja e azul,


Os rostos eram sem rugas


Ou manchas de angústia


Daquelas que vêm quando se passa


Tempo de mais respirando o fluxo cinzento.


Eu nadava no céu


Perdido ou mergulhado


Em uma espécie de nostalgia do presente,


E Naquele vácuo físico-imaterial


Encontrei um velho “Alien” que me disse


Com fotografias e movimento


Da vontade cinegética de nos ancorarmos


Em projeções do antigo passado,


Do cheiro da memória que nos atrai


Para um rastro de negação do que é real.


Era isso que eu fazia no 24º andar


Enquanto projetava o meu imaginário


No reflexo das vidraças velozes dos prédios


Como um projetor de cinema numa tela vazia e branca.


Por que não estraçalhar todas as vidraças?


Quem sabe alguns cacos temperem melhor


Isso que chamamos de tempo,


Vamos rasgar os relógios e fazer das horas


Um prédio vazio da onde se possa saltar!



Guilherme Radonni.