terça-feira, 5 de junho de 2018

Entrelaçados

Não cabe em meu peito
Tudo o que sinto agora
Por isso transbordo
Essa água que inunda tudo
Aqui dentro de mim
Desaguando os nós
E as amarras do destino
Para poder aceitar  o fio
Que tece a teia de todas as historias
As que vem e as que vão
Mas o que fazer com aquelas
Que no fundo sempre ficam
Como sonhos encontrados
Que não queremos perder?
Quando abrimos os nossos olhos
Para o que chamam de realidade
E vemos na linha do tempo e do espaço
Nossos caminhos se separando
Mas como se separa o coração?
Que continua ligado por um fio tão forte
Que parece rasgar meu peito
Só para uma parte de mim
Voar junto contigo
Para não crer na ilusão da separação
Pois além desta gaiola
O amor cria asas para abraçar a imensidão
Mesmo que hoje meu ninho vazio
Sinta a dor da tua ausência
O teu calor ainda me arde
Feito brasas em meu coração
Onde me entrego
E as vezes me queimo
Para transformar o medo
Que se esconde
Atrás do véu da paixão
Afogando os sonhos da alma
Nas lágrimas que não caíram
Só para lavar as feridas
Que ainda não cicatrizaram
Mas o amor sana tudo
Até o gosto amargo
Que as vezes a vida tem
Entre a doçura das flores
O espinho da rosa me ensina
A amar além do perfume
Que seduz da abelha ao beija-flor
Sou teu ninho e a tua coméia
Enquanto planto teu nome
No jardim do meu próprio peito
Regando os sonhos que enxerguei
No espelho do teu olhar
Enquanto aguardo o tempo
Nos permitir florescer
Para espalharmos as sementes
Que brotaram do nosso amor.

Guiel








sábado, 14 de abril de 2018

Resgate.



Cada vez mais a vida dos homens se torna mais paradoxal e anti-natural, e para retornarmos a nossa essência orgânica teremos de nos reeducar.
Desde a separação do eu e do não-eu estamos vivendo uma eterna busca de auto-realização, pois amputamos de nós aquilo que nos conecta com o universo, nos tornando humanóides individualistas que nunca estão realmente satisfeitos, pois seguimos ou melhor somos condicionados a seguir o fluxo de um mundo onde sempre se busca mais e mais , mas talvez estejamos buscando no lugar errado, tentando sempre encontrar fora de nós, aquilo que só se pode encontrar por dentro, e desta maneira nunca acharemos.
Penso as vezes que a inocência esta ai, em revirar os olhos e se enxergar por dentro, mas sem separações entre o eu e o todo, porque o todo está em nós, está na simplicidade de aceitar as cores do mundo assim como ela são, e não digo do mundo dos homens, mas sim do mundo universal que esta girando junto com todos os outros astros em volta da luz do sol, que nos aquece e ilumina. Tudo é perfeito, a gente que ás vezes não consegue perceber pois criamos um monte de coisas que não necessitamos de verdade, e fizemos de tais coisas necessidades primordiais, quando na verdade elas só nos afastam do que realmente nos contempla; a liberdade de viver para a vida.

Guiel
(14 de Abril de 2012)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Para quem tem tempo para a poesia

Como pode ser tão forte
E ao mesmo tempo tão frágil
Essa sensação inexplicável
De simplesmente estar vivo
De chorar e rir ao mesmo tempo
Vendo as crianças brincarem
Enquanto os velhos adoecem
Junto as flores que se abrem
E a poesia que desabrocha
Em cada coração ferido
Pelas arapucas do destino
Que nos capturam somente para nos ensinar
Aquilo que nem sempre queremos aprender
Pois amadurecer.... é pra poucos
Já que muitos tem medo
De cair do pé e virarem adubo
Mas de que vale ser fruto verde
E não poder ser desfrutado
Ainda sim somos doces e amargos
Os dois lados da moeda
Se olhando no espelho
Procurando ser um tesouro inteiro
Repartido em mil pedaços
Para matar a fome dos que não tem pão
E roubam a cada esquina
A esperança de persistir
Mesmo por linhas tortas
Um dia aprendemos a escrever
Mas a história que nos contaram
Ainda é difícil de conceber
Pois tantos buracos engoliram a verdade
Que é preciso cavar dentro de si
Para encontrar o mapa do que estava perdido
E na natureza a dor, de uma mãe que pede socorro
Aos filhos que ficaram presos
Pelas gaiolas de concreto
E não sabem o que é por os pés no chão
Para sentir o amor de perto
Ao invés disso, se iludem
Com os ponteiros do relógio
Que fazem a multidão correr
Para chegar sempre no horário
Mas não percebem que estão atrasados
Indo atras do trem errado
Vitrines e diplomas, condomínios e enlatados
Nas prateleiras da injustiça
Dos impostos adulterados
Onde o preço cobra caro
Pelo que não vale se pagar
Pois o ar foi dado de graça
Para quem sabe respirar
E a vida só pediu em troca
Cultivarmos o próprio jardim
Mas o asfalto corrompeu
O perfume do jasmim
Hoje choro pelos rios
Que estão tentando vender
Mas Deus também sabe cobrar com juros
A quem não respeita a própria Mãe
E na hora que chegar esta conta
Só rezo para não ter dividas
No mais sigo cantando, espalhando poesias
Pois o que me resta é dançar
Nessa louca ciranda da vida.

Guiel







Viajantes do Peito

Como dois viajantes perdidos
Nos encontramos sem procurar
Caminhos cruzados 
Pelo fio do destino
Num breve suspiro a se entrelaçar
E no vento da última noite
Pela porta do último andar
Teus olhos de Estrela d´alva
Hipnotizaram o meu olhar
A primeira vista
Mas não sei quem viu primeiro
E como se já fossemos velhos amigos
Brincamos de se apaixonar
Num terraço feito de flores
O altar da vida nos consagrou
E naquela madrugada...
Esquecemos de dormir
Só para amanhecer
Como dois estranhos 
Mais íntimos que irmãos
E no triangulo do teu peito
Meu cristal se encaixou
Enquanto o ninho 
Do teu braço direito
Abraçou um beija-flor 
Que em mim voava sem rumo
E de repente simplesmente pousou
Pétalas de rosa, caindo pelo chão
Perfumando a manhã e a estrada 
Da nossa tão breve despedida
Enquanto eu seguia para a montanha
Tua permanecia na frente do mar
E mesmo tão distante
Continuamos sonhando um com o outro
Só para acordarmos juntos
Mesmo sem estar
Reviravoltas do peito
Me fizeram voltar
E mais cigano que eu
Foi a tua loucura
Desapegando das gaiolas
Para seguir o vento do amor
Mas antes, foi o Mar quem confirmou
Nosso beijo salgado
Adoçando as ondas da praia
Mergulhamos um no outro
Sem nem mesmo respirar
E o coração foi navegando 
Sem saber onde ia parar
Então foi aqui, na Cidade dos Cristais
Onde a vida nos lapidou
Enquanto todos diziam
Como eramos iguais 
Nos reconhecíamos num espelho 
Feito de luz e sombra
Enxergamos o amor, a dor e a flor 
Espinhos de rosas vermelhas
Nos ensinando a cultivar
Um jardim tão delicado
Quantos as feridas que viemos curar
Com o veneno do escorpião
Que nos faz ser um só
Misturamos o fel e o mel
Para encontrarmos um antidoto 
Do coração...até a ponta do ferrão
Expomos as nossas fraquezas
Enquanto ficávamos nús
Aprendendo a se expressar
Como crianças correndo
Fomos rápidos de mais
Mas agradeço a cada segundo
Que tecemos um com o outro
E hoje desatamos os nós
Para cada um seguir seu destino 
Das minhas mãos...
Uma pena, um cristal e uma concha
Dos teus olhos...
O brilho de uma gota de lágrima
Lavando a nossa história
Enquanto o nosso olhar
Congelava o passar das horas
O calor do nosso abraço 
Derretia as diferenças...tão iguais
Dois amantes, irmãos do tempo,
Libertando velhas histórias
Para um novo recomeço.

(Para o Menino de Estrela d´Alva)

Guiel




domingo, 22 de outubro de 2017

Ilha












A solitude é uma paisagem
Que só pode ser apreciada
Por aquele que se rendeu
A velha ilha da solidão
E encontrou num mar tão fundo
O abraço que preenche
O barco vazio do próprio coração
Perdido num peito naufragado
Entre corais e cardumes
Amores afogados
Mas o amor é o próprio mar
Que dilui todas as ondas da vida
As mais altas e as mais baixas
Se desfazem feito espumas no mar
Como o sal dos olhos
Desaguando feito lágrimas
Para lavar as areias do tempo
Guardadas na ampulheta do destino
Enquanto a vida me vira, de cabeça para baixo
Para me ensinar o que eu ainda não sei
Rema marinheiro, rema...
Que a travessia é longa
Em busca deste porto seguro
Sem mais anzóis para o coração ferir
Mas até lá, quantas vezes
Já fomos pescados pelas redes da ilusão?
É preciso mergulhar mais fundo
Para cavalgar cavalos marinhos
E ir além da ressaca das ondas
Que peneiram a imensidão
Mas a Sereia segue encantando
Mesmo nas noites de temporal
Siga teu canto e encontrara
A estrela que é teu farol.

Guiel.

Guiel.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Diluindo-se


Deixando as molduras
Escorrem aos poucos
Partes de mim que vazam, 
Mostrando o que tenho dentro
Um oceano cheio de pássaros
Que querem dar asas
Ao meus sentimentos
Sem as âncoras
Afogando meu peito
Que ainda esta aprendendo a nadar
E lá no fundo sempre ouve
Não se esqueça de voar
Pois esta é a sina de um coração alado
Mas que tem sede de mais
E peixe quer virar
Só para beber o mar
Que é tão azul quanto o céu
Que foi pintado sem molduras
Para dar asas a criação
Me dilua em tua obra
Para eu ser parte da imensidão.
Guiel

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Desaguar

As vezes canso de remar
Nessa imensidão de águas
Que sem eu perceber
Inundam os meus próprios olhos
E escorrem feito a chuva
Lavando as feridas mais escondidas
Que ainda não cicatrizaram
As vezes arde o peito
Sentir o sal das lágrimas
Corroendo a ilusão
Mostrando a luz e a sombra
Num mesmo espelho
Que sem avisar...me vira do avesso
Navegando de um lado para o outro
Procurando um tesouro perdido
Que pirata nenhum é capaz de encontrar
Quantas vezes já me afoguei
Nessa busca de mim mesmo
Resgatando reflexos que afundaram
Junto com ancoras que viraram areia
E ainda sim, são pesadas de mais
Para o meu pequeno barco
Que navega sem cais
Fazendo da fé um porto seguro
Seguindo o farol que aponta
Para aquela ilha distante
Que fica escondida
Bem no fundo do coração
Me entrego a esse mar
E peço licença pra mergulhar
Sanar meu lamento ingrato
Que pouco sabe sobre amar
Mas rogo para ter folêgo
E nado para aprender
Já que a sina do rio
É desaguar no oceano
Então me entrego a essa correnteza
Que outrora represei
E me lavo nas águas do perdão
Como num banho de riacho
Diluindo todas as barragens
Das água estancadas em mim
E nessa lagoa me decantar
Pra ser lama e voltar ao barro
De onde veio água tão pura
Bebo da fonte que não tem fim
Mas que gota matara minha sede
Do abismo profundo que a em mim
Se eu mesmo sou a tromba d´agua
Que um dia regou o jardim
Hoje só me resta ser o orvalho
Pra evaporar e feito garoa cair
E regar de novo a seca
Do que murchou dentro de mim.

Guiel