segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Café.

Depois de capítulos
Resistindo e negando
Sobre o gosto obvio da cafeína
Acho que enfim, to aprendendo a gostar
Começando a entender
As bordas das xícaras
Borradas de saliva e marrom
Entender a mesa quente,
Nas manhas frias
E o sono anulado, por vicio de pó
Pó de café, pó de rotina
Pó que acostuma
Talvez nem fosse tão amargo assim
Deve ser culpa da língua precoce
Que rejeita tudo que não for glicose
Que lambe o que beija
E escarra tudo o que transborda
De qualquer jeito assisto a água ferver
Pra não ter de aplaudir minha própria evaporação
Queimo a ponta dos dedos no vapor que despejo
Sobre o bule ou qualquer coisa.
Duas colheres bastam,
Minha insônia já não é tão forte
Acho que deve dar pra afastar o sono
Ou o vácuo, ou o grito.
O grito é sempre pior
Esse dói quando não tem voz
Quando você não o tem
Ou quando já desistiu de gritar
È a vida, está gasta, e com gosto de...
Com gosto de café
Daqueles servidos pra visita sabe?
Que não se pode recusar
Tem de engolir enquanto faz sala
Mesmo que esteja amargo, queimando-te a língua
E te dando ânsia
Mais acho que estou aprendendo a gostar
Não é o que é de fato
E sim o que representa
Goles secos, prosas mudas, e café extraviado
Quando se é jovem, não se quer cafeína,
Se quer vodca, com doses de rebeldia
E gastar a madrugada de olhos abertos
Sem precisar de estimulante.
Até quando somos jovens de verdade?
Até quando resistimos ao café?
Não creio na idade cronológica
Nem na chaleira que apita o vapor sujo de costumes
Mas no final de tudo
Acho que estou aprendendo a gostar de café.

Guilherme Radonni.

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