quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Para os amores que ainda não amei


É tanto amor que não cabe no peito
Transborda e vaza
Em todas as direções
E ainda sim, sem destino
Pois a verdade é que o amor
Nunca sai do lugar,
Esta sempre no centro,
No meio do peito
Onde mora todos os amores
Do passado ou do futuro
Na eternidade do presente
No vazio do ausente
Na flor e na semente
Que me ensina a regar
O meu próprio jardim
Só para relembrar a beleza do mundo
E depois espalhar
Para aqueles que se esqueceram.
E ainda sim continuam amando
Pois afinal para que serve o coração?
Se não for para amar.
Guiel.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Para Onde?


Definindo caminhos
Na incerteza do destino
Abrindo as asas ao vento
Para ser levado nas mãos do acaso
Ainda sim na esperança
De encontrar o que nunca foi perdido
Todas as bússolas apontam para o norte
Enquanto os mapas me guiam para o sul
De leste a oeste
Me procuro em teu olhar
E por dentro um pássaro viajante
Que ainda esta apreendendo
A se desgarrar do próprio ninho.

Guiel. 14/09/2015





domingo, 14 de agosto de 2016

Feliz dia dos Pais


Agradeço a ti, por mesmo de longe
Sempre estar ao meu lado
Pelo apoio que tuas mãos sempre me deram
Mostrando o caminho do juízo
E a serenidade que existe no silêncio...
No olhar de uma águia
A guiar teu filhote para adiante chegar
Hoje posso voar
Graças as raízes que tu me deu
E só peço perdão
Por ter voado pra tão longe
Mas ainda sim, saiba que está
Sempre ao meu lado
Dentro do meu coração
E na voz que guia meu juízo
Ah...também peço perdão
Pelos cabelos brancos que te dei
De preocupação, de saudade e de ser tão diferente
E te agradeço ainda mais
Por me aceitar como eu sou
Por respeitar minhas escolhas
Por apoiar o meu caminho
Sem isso, eu não poderia ir a lugar algum
E hoje sinto que eu posso ir
Para todos os lugares
Pois o amor que sempre recebi
Da força as asas que tenho
Mas sempre com uma certeza
De que o vento me levará de volta
Ao ninho de onde eu vim
Só para abraçar, com um abraço bem apertado
O Pai que Deus me deu.
De um filho que voa longe
Para um grande pai que esta bem perto.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Aldeia

Sementes caídas das estrelas
que brotam da terra
E povoaram florestas
Fazendo girar a roda da vida
Em volta do fogo
Que nunca se apaga
Reunindo tribos perdidas
Desterradas, mas não esquecidas
Pois ainda dançam
Pela memória de um povo
De sangue vermelho
Que cantam por todas as cores
Guerreando e sorrindo
Por cada dia que vira noite
Toda aldeia celebra
A luz que o sol 
E a lua nos deu
Cultivando sonhos
Que ainda despertarão
Dentro da mata, na árvore mais antiga
Plantando nos pés de Nhanderu
Aonde os pássaros voam
Levando o canto de um rezo
Que pede pela casa que guarda
O coração de uma tribo inteira.

Guiel.

Ilustração: Juliana de Castro

terça-feira, 26 de julho de 2016

Mel

No meio de tantos olhos
O teu olhar acertou o meu
E feito uma flecha de fogo
Tu me incendiou por dentro
Queimando as barreiras do tempo-espaço
Como se já fossemos intímos de antes
Além do depois, na leveza do agora
Enquanto nossos pés dançavam
No mesmo ritmo do peito
Descobrindo a cada beijo
O nectar que vem de dentro
Mais doce que fruta madura
Esperando pra ser colhida
Antes do frio do inverno
Que anúncia o vento da partida
Voo...pra te sentir de novo
E pousar minhas asas no calor do teu ninho
Só para sonhar em teu braços
Com desenhos e cores que não sei o nome
E ainda sim, nos fazem sorrir
Enquanto nossos lábios...
Continuam se misturando
Meu perfume de alecrim
Entre seus cachos de querubim
Me levando pra passear,
Por ruas cheias de flores
Que vão deixar doces saudades
Tão leves quanto uma pena de beija-flor
Gratidão pelo encantado encontro
E por cada beijo com sabor de flor.



Que o amor te leve dançando
Por onde você andar
E  que os ventos da sorte,
Permitam a nós um reencontro.

( para aquele que me acertou com sua flecha de mel)

Guiel

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Peregrino


As vezes me perco, dentro ou fora de mim mesmo
E gira o tempo, e gira o mundo
Enquanto me procuro em outros olhares
No meio das flores, embaixo da escada
Em cima das árvores, na pausa das horas
E quando estou quase desistindo de procurar
Encontro meu coração,
Brincando de esconde-esconde
E cantarolando coisas que eu ainda não sei
Me ensina tempo
A respeitar cada momento
A ter a paz de uma semente
Que aguarda calmamente
A hora de brotar
Enquanto meus olhos florescem
Como o de uma criança
Que depois de perdida
Reencontrou as mãos dos próprios pais
Onde estão suas mãos agora?
Que já não sou mais uma criança...
Como faz? Para apagar os rabiscos que o medo
Manchou em meus desenhos
Sem deixar desbotar dentro de mim as cores
Que a mão da vida pintou
Me pinte mais uma vez
Só para eu não me esquecer
Das cores que tingiram o céu e a terra
E fizeram de mim, um coração peregrino
Que não se cansa
De se reencontrar.
Guiel.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Contratempo



Peço licença ao branco dos olhos de quem vê
para compartilhar cores que um dia me pintaram
Mas antes...peço perdão ao silêncio
Por acorda-lo com os ruídos que ecoam dentro da minha cabeça
E por último, peço ajuda das palavras
Para serem  mensageiras do que sinto no coração
Mesmo que seus sentidos se percam, nos labirintos dos significados
Esvaziando as confusões da mente
Num canto de desabafo
Que faz voar as asas de dentro
Para além das gaiolas de fora
Me relembrando que o infinito
É a soma de todas as coisas
E eu sou uma pequena parte
Desse grande mistério indivisível
Que de conta em conta
Multiplica a volta dos astros
Então...pra que tanta pressa
Nos ponteiros dos relógios?
Enquanto contamos as horas
Os dias. meses, anos
São os ciclos em movimento?
Ou é a mão do tempo brincando?
As vezes me canso, de correr em volta da mente
Ai me lembro de caminhar
No ritmo do coração
Mas é preciso muita presença
Para não perder o passo
Pois as vezes o coração
Também fica acelerado
Nessa hora respira fundo
Não esquece o combinado
Dance conforme a música
Pois a vida é um bailado.
Ai que alivio que já dá
Por Deus ser o maestro e o coreógrafo
Dessa louca orquestra da vida
Que move a dança de todos os passos.


Guiel.




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