domingo, 28 de agosto de 2011

Poesia de louvação aos astros



No intocável silêncio da noite
Ouvi a poesia quieta do espaço

Onde as estrelas sensíveis piscavam

Diante de pupilas dilatadas

Eis a valsa do mundo

No ritmo degenerado dos planetas

Sem misantropia ou lógica

Somente a luz da galáxia cadente

A derramar o leite lunar em meus olhos
Queria saber da onde vem esta fascinação pelos astros
Quando era pequeno queria ser astronauta

Hoje inclino a cabeça e me embriago com o céu

Um dia verei um vão se abrir no infinito do espaço

E sem pensar me lançarei num mergulho ao contrario


Só para me perder no universo latente.


Guilherme Radonni




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E sempre achei que o furacão não coubesse em mim...

O que significa o laranja amor ?

Queria eu sugar a sua humanidade
e conhecer o seu espírito.

- que dê tempo de mostrarmos a pureza que perdeu-se a tempos em cada ser.

Sempre ouço o som da sua música...

Faço amor com você a cada olhar,
e faço olhares de amor a cada toque.



O que faremos hoje do nosso dia? Amor.

Tábatta Iori

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vinte e quatro cacos.



Estava no 24º andar


De um edifico vazio


No meio de uma tarde laranja e azul,


Os rostos eram sem rugas


Ou manchas de angústia


Daquelas que vêm quando se passa


Tempo de mais respirando o fluxo cinzento.


Eu nadava no céu


Perdido ou mergulhado


Em uma espécie de nostalgia do presente,


E Naquele vácuo físico-imaterial


Encontrei um velho “Alien” que me disse


Com fotografias e movimento


Da vontade cinegética de nos ancorarmos


Em projeções do antigo passado,


Do cheiro da memória que nos atrai


Para um rastro de negação do que é real.


Era isso que eu fazia no 24º andar


Enquanto projetava o meu imaginário


No reflexo das vidraças velozes dos prédios


Como um projetor de cinema numa tela vazia e branca.


Por que não estraçalhar todas as vidraças?


Quem sabe alguns cacos temperem melhor


Isso que chamamos de tempo,


Vamos rasgar os relógios e fazer das horas


Um prédio vazio da onde se possa saltar!



Guilherme Radonni.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pequeno fragmento de euforia letárgica.

Precisamos é da boemia da noite

Da abstração das fumaças

Da liberdade das ruas

Encharcadas com o rastro do luar.

Precisamos sentir o barulho

E o movimento caótico

Que vaza das coisas,
Só para transmutá-lasE depois, desacelerar o ritmo do mundo.

Como ouvi uma vez em uma tela de luz e sombra

“Ao menos que você ame, sua vida passará rápido de mais”.

Guilherme Radonni.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E hoje, as tartarugas já não são mais verdes, nem a grama.


Nostalgia bucólica.

Que o pote da inspiração não se esvazie nunca

Pois enquanto houver céu

Tragarei as nuvens

E as traduzirei em versos etéreos

Pois é só o que vale

A poesia a inundar a alma dos que choram

E encharcam o jazigo seco

Dos que partiram para um poço sem fundo

De onde se vê a lua tão mais de perto

E tão mais longe,

Já que toda claridade em excesso

Cega os olhos feridos da terra.

Só por hoje não quero sangrar

Pois coagulei minhas feridas

Com suor e música

Que o canto dos prédios desabem sobre as cabeças

Dos que não tem eixo

E depois disso,

Um giro fora de órbita

Entre minha dança e a tua paralisia.

Venha ver a tarde meu bem

Quem sabe nela encontremos uma noite mais feliz

Já que a manha partiu sem itinerário

E só confundiu a direção que devemos seguir

Vai ver é isso

Perdi o rastro de pegadas que conduzia minha rotina

Agora os meus pés tortos caminham de cabeça para baixo

E não posso amputar minha estrada
Não antes de chegar á praia

E ainda estou tão longe de sentir o cheiro do mar

Mas quem sabe a maré alta seja logo ali

E me atropele antes de eu senti-la

Quero isso,

Um atropelamento de ondas azuis e verdes

Só pra lavar o estrago que plantaram em mim

No dia em que acordei

E não senti mais minha infância

A escorrer pelas pernas.

Devo estar ficando velho

Pois sinto tanta falta

Do açúcar na boca

Do quintal correndo em mim

Das festas enfeitadas com fitas

Só quero retroceder

Até o ponto de não saber o que é memória

E ainda sim,

Me lembrar de não crescer.



Guilherme Radonni.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Verso anti-veloz

(Feito pra se ouvir ao som de Satie)

Entre uma valsa e outra

Fujo do ritmo, quebro o compasso

Esqueço do mundo

Porque o que é veloz

Fere meus olhos, rasga meu ser

Amputa a minha calma

É por isso que eu danço tanto

Pra esquecer da velocidade das horas

Pois quando valso

Crio o meu tempo

Já quando caiu,

Invento o meu próprio buraco

Que é sempre mais fundo do que esse abismo

Talvez essa ansiedade que sinto apressando meu corpo

Seja trauma do tempo dos homens

É ter essa massa me empurrando pra frente

Sem deixar eu seguir dançando

Apenas me espreitando pra mais perto da beira

Fazendo eu perder o passo

Tropeçando sempre na mesma pedra

Seria tão mais fácil se as pessoas dançassem na rua

Ao invés de seguir cada um o teu caminho estreito

Tão estreito que anula o outro

Como um corredor apertado

Onde só se cabe a tua pressa

É como passar em um desfiladeiro

Se esbarra em um lado, desmorona

Se fica preso no outro, sufoca.

Quero fugir do cinza veloz

Abraçar um cometa

E dançar a valsa intergaláctica da antigravidade

E se o tempo me permitir,

Quero voltar para o planeta de onde me tiraram

Pois lá o tempo não para, no entanto nunca passa.

Viva ao infinito!



Guilherme Radonni