sábado, 6 de maio de 2017

Prece as despedidas.

Despeço. Sem medo. Sem choro. De tudo que me amarra, enlaça, me volta pra dentro do que não me sou. Despeço! Peço que me livre de todo mal que construí e construíram em mim, peço o meu desmoronar! Quero me desfazer para assim desenhar tudo que, de fato, seja cada cor minha. Deixo ir, e olho a ida pelo horizonte dos meus traumas, das opressões vividas, dos descuidos alheios e inclusive de todos os preconceitos provindos dos meus antepassados. Deixo, com muito respeito, apenas o que for da real sabedoria da terra, da simples e grandiosa TERRA. É preciso zerar. É precioso o agora. Quero ser a liberdade. Do corpo, da alma, do amor... Descubro [me]. E é bela, a minha real(idade). 
Peço liberdade para todas as realidades! Que sejamos plenos, apenas, dos fluxos que as horas não contabilizadas pelo homem nos dão. Recebo e aceito a nudez, para, aos poucos, vestir me de mim mesma. Agradeço cada segundo vivido, mas, preciso ir. Levarei apenas o que acredito.
Que assim seja, se for de assim, o ser.

(Já não aturo, nem sequer, olhares de certezas demasiadas levantadas a partir dessa utopia externa de como se deve viver!)
Meus caminhos sempre têm algo a me dizer.


Tábatta Iori
Um inseto pousou em mim,
antes disso
ele colidiu fortemente com meus olhos.
Em pequeno sobre-salto
a vida pausou
para entender o que havia.
No instante primeiro tive receio,
ele era muito diferente
de mim,
depois...
o tentei apalpar
e dar base para seu vôo.
Sem sucesso, ele quis continuar suas horas
apoiado em mim.
Me olhava.
E
de repente
era apenas eu e ele
no mundo.
Mais nada.
Em fragmentos rápidos do viver
aquele ser
acolheu minha presença
e me fez ser companhia.
E no mesmo ligeiro e faceiro estar
ele
partiu...
Voou para outros rostos
sem me deixar despedir.
Que sonho de idas e vindas...
Que dor é o sonhar!
Em um estalo está.
Em outro...
Se vai.
Com asas de lembranças.
Em qualquer dia desses, aquele minúsculo ser atravessou meus dias. Me fez amar, me fez sofrer, me fez...
vida.

Tábatta Iori

Fotografia: Everton Lampe (Tinho)

terça-feira, 25 de abril de 2017

???

Quem consegue entender
Pode tentar me explicar?
As voltas do mundo
O ritmo do tempo...
O vai e vem das ondas,
O sentido do vento
O canto de um pássaro
O buraco no peito.
Guiel

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Maré

As vezes é preciso recuar,
Para depois avançar,
Assim como as marés
Que nunca param de dançar
Me ensinem por favor
A hora certa de cada coisa,
Pois as vezes me diluo
No meio da imensidão,
E se perdemos a bussola,
Não escutamos o coração
É tanta intensidade
Que as vezes sinto um tsunami
Dentro do mar que existe em mim
Mas as mesmas águas que geram
São capazes de destruir
Se não medidos a própria força
Para o amor sempre fluir

Guiel.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Olhos de Isis


Tantas chuvas já cairam
Depois de você ter fechados os olhos
Quanto tempo já passou
Sem você dançando comigo
Ainda sim tua lembrança
Se reflete em meu olhar
E nenhuma lágrima foi mais funda
Do que aquelas que derramei para te lavar
Afogo a saudade da inocência perdida
Nos atos e retratos
Que escrevemos em nossos corpos
Personagens e cenários
Que tua dança desenhou em mim
Nossos passos foram além do fim
Muito além da fronteira
Que seus pés insistiram cruzar
Te perdi num labirinto
Pra te encontrar nas mãos do infinito
E hoje eu te abraço deste outro lado
A cada vez que a arte transborda em meu coração
Te agradeço pelo sacro-oficio
Que descobri junto a ti
Da morte o renascimento
Nos ensinando a honrar a vida
Já que o espetáculo não pode parar
E o black-out só anuncia o próximo cápitulo
Põem tua saia de flores menina
Que o tambor já vai rufar
Num cortejo de anjos
Vejo a Neguinha passar
Giram penas e colares
Colorindo um novo mundo.
Segue dançando pelo caminho
Até que a arte nos Salve.
Para aquela que mudou para sempre
o meu sentido de viver.
Guiel

14/04/2015

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Farol

Mais um reflexo de mim
Hoje a Lua me mostrou
E por de traz do véu
Que um dia nos separou
Fez-se o espelho da noite
Clareando a escuridão
E por dentro da fenda
De onde todos nós viemos
Retornava para o colo
Que abraça o feminino
Curando antigas feridas
No útero da criação
Derrubando lagrimas salgadas
Que regava a flor do perdão
Nos dois lados da balança
O coração segue aprendendo
A dar e a receber
Honrado as duas mãos
Mas o equilíbrio é uma arte
Que não se aprende de uma só vez
Pois é preciso ser forte
Sem perder a fluidez
Ter entrega e ter coragem
Sem perder a sensatez
Olhar além do próprio umbigo
Sem esquecer de cuidar do teu
Essa dança tão sagrada
Feito a Lua que reflete o Sol
Nos ensina santa estrela
A seguir este farol
Que aponta para o meio
Onde a paz tem o seu lugar
E os dois lados que há em nós
Juntos possam descansar.

Guiel






domingo, 9 de abril de 2017

Travessias

As vezes me sinto atravessando
Um corredor tão estreito
Como um labirinto desconhecido
Cheio de curvas e passagens secretas
Mas que estão me fazendo descobrir
Tantos lugares aqui dentro de mim
Que até o próprio coração se perde,
E se aperta para relembrar o caminho
De tudo aquilo que eu ainda tenho de aprender
Para poder florescer
E a minha essência
Eu simplesmente ser
Mas leva tempo pro coração amadurecer
Ou pra gente entender a semente
Que traz dentro do peito
Mas a vida ensina a cultivar
Só não aprende...
Quem não gosta do mel da flor
E os espinhos, todo mundo  já conhece
Então chega de sangue
Pois ainda é puro o vermelho da rosa
Quem foi que deixou o medo
Tingir as lágrimas no lugar do orvalho?
Beija-flor quem me cura
Pra eu seguir dançando esse bailado
Com essa música que me surpreende
Cada vez que acho que encontrei o ritmo
Retumba no peito
Um amor que já nem cabe mais lá
E por isso tem que voar
Pra espalhar por ai
O calor de dentro do ninho
Voa passarinho, e me perdoa por te trancado
Dentro das gaiolas das minhas incertezas
Pois o medo da liberdade
É não saber para onde voar
Me ensina... até onde minhas asas podem chegar
Estrela quem me guia, mesmo no breu da escuridão
Pois hoje sei que todos os ventos
Vão e vem do mesmo lugar
Do sopro do amor
Que nunca se cansa de entoar
A poesia que esta escrita
Em cada canto que o coração puder olhar

Guiel

Gratidão a todos que estão me ensinando a abrir minhas asas!