quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Aldeia

Sementes caídas das estrelas
que brotam da terra
E povoaram florestas
Fazendo girar a roda da vida
Em volta do fogo
Que nunca se apaga
Reunindo tribos perdidas
Desterradas, mas não esquecidas
Pois ainda dançam
Pela memória de um povo
De sangue vermelho
Que cantam por todas as cores
Guerreando e sorrindo
Por cada dia que vira noite
Toda aldeia celebra
A luz que o sol 
E a lua nos deu
Cultivando sonhos
Que ainda despertarão
Dentro da mata, na árvore mais antiga
Plantando nos pés de Nhanderu
Aonde os pássaros voam
Levando o canto de um rezo
Que pede pela casa que guarda
O coração de uma tribo inteira.

Guiel.

Ilustração: Juliana de Castro

terça-feira, 26 de julho de 2016

Mel

No meio de tantos olhos
O teu olhar acertou o meu
E feito uma flecha de fogo
Tu me incendiou por dentro
Queimando as barreiras do tempo-espaço
Como se já fossemos intímos de antes
Além do depois, na leveza do agora
Enquanto nossos pés dançavam
No mesmo ritmo do peito
Descobrindo a cada beijo
O nectar que vem de dentro
Mais doce que fruta madura
Esperando pra ser colhida
Antes do frio do inverno
Que anúncia o vento da partida
Voo...pra te sentir de novo
E pousar minhas asas no calor do teu ninho
Só para sonhar em teu braços
Com desenhos e cores que não sei o nome
E ainda sim, nos fazem sorrir
Enquanto nossos lábios...
Continuam se misturando
Meu perfume de alecrim
Entre seus cachos de querubim
Me levando pra passear,
Por ruas cheias de flores
Que vão deixar doces saudades
Tão leves quanto uma pena de beija-flor
Gratidão pelo encantado encontro
E por cada beijo com sabor de flor.



Que o amor te leve dançando
Por onde você andar
E  que os ventos da sorte,
Permitam a nós um reencontro.

( para aquele que me acertou com sua flecha de mel)

Guiel

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Peregrino


As vezes me perco, dentro ou fora de mim mesmo
E gira o tempo, e gira o mundo
Enquanto me procuro em outros olhares
No meio das flores, embaixo da escada
Em cima das árvores, na pausa das horas
E quando estou quase desistindo de procurar
Encontro meu coração,
Brincando de esconde-esconde
E cantarolando coisas que eu ainda não sei
Me ensina tempo
A respeitar cada momento
A ter a paz de uma semente
Que aguarda calmamente
A hora de brotar
Enquanto meus olhos florescem
Como o de uma criança
Que depois de perdida
Reencontrou as mãos dos próprios pais
Onde estão suas mãos agora?
Que já não sou mais uma criança...
Como faz? Para apagar os rabiscos que o medo
Manchou em meus desenhos
Sem deixar desbotar dentro de mim as cores
Que a mão da vida pintou
Me pinte mais uma vez
Só para eu não me esquecer
Das cores que tingiram o céu e a terra
E fizeram de mim, um coração peregrino
Que não se cansa
De se reencontrar.
Guiel.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Contratempo



Peço licença ao branco dos olhos de quem vê
para compartilhar cores que um dia me pintaram
Mas antes...peço perdão ao silêncio
Por acorda-lo com os ruídos que ecoam dentro da minha cabeça
E por último, peço ajuda das palavras
Para serem  mensageiras do que sinto no coração
Mesmo que seus sentidos se percam, nos labirintos dos significados
Esvaziando as confusões da mente
Num canto de desabafo
Que faz voar as asas de dentro
Para além das gaiolas de fora
Me relembrando que o infinito
É a soma de todas as coisas
E eu sou uma pequena parte
Desse grande mistério indivisível
Que de conta em conta
Multiplica a volta dos astros
Então...pra que tanta pressa
Nos ponteiros dos relógios?
Enquanto contamos as horas
Os dias. meses, anos
São os ciclos em movimento?
Ou é a mão do tempo brincando?
As vezes me canso, de correr em volta da mente
Ai me lembro de caminhar
No ritmo do coração
Mas é preciso muita presença
Para não perder o passo
Pois as vezes o coração
Também fica acelerado
Nessa hora respira fundo
Não esquece o combinado
Dance conforme a música
Pois a vida é um bailado.
Ai que alivio que já dá
Por Deus ser o maestro e o coreógrafo
Dessa louca orquestra da vida
Que move a dança de todos os passos.


Guiel.




,

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Dançando no silêncio.

Hoje danço... mesmo sem musica,
E reverencio à cada passo
No descompasso do acaso
Que faz ser coreografia
A sincronia dos astros.
 
Enquanto houver movimento dentro de nós
A vida cantara, só para nos lembrar 
Que fomos feitos, no momento do silêncio
Em que o Céu dançava com Terra.




















Dance comigo hoje
Sobre o espaço de ontem
No ritmo do amanha.

Até lembrarmos do presente
Dance comigo eternamente
Até esquecermos que o tempo
É o movimento ilusório
Que aprisiona a mente.

Me liberto... e voo
Caio... e nado
Me molho, me planto
Germino. Renasço...

Salve a Dança.

Guiel.

domingo, 18 de agosto de 2013

O Mapa dos Cometas.

 
 
E de repente você se enxerga, estampado no rastro
Da nuvem passageira que atravessa o céu profundo
E percebe numa fração de segundos
Que o vento lhe arrasta para onde convém o sopro do céu
Que céu? se o que sinto no peito
Queima e arde o cintilar das estrelas
Que estrelas? se o que vejo no escuro são os reflexos dos teus olhos
Despertando planetas dentro do teu próprio micro-cosmo
Entre órbitas e lagrimas
Choro cometas que imitam o deslizar de uma valsa
Nesta dança escorreguei, e cai nos braços do meu próprio mistério
Foi Deus quem me revelou, como um livro em branco de capa nua e crua
E assinou o meu prólogo com o eco azul do mar
Mais o grande poeta que escreveu as curvas linhas da vida
Deixou minhas páginas sem numeração
Só para que eu mesmo busca-se sentido
Em dividir os meus próprios capítulos
E depois uni-los dentro do que chamo de EU
Sé o céu fosse um Poema
Sua rima não teria som
Pois o canto do silêncio...reverbera mais
Que a declamação dos verbos.
Fechem os olhos “viajantes” e apontem para a casa
Depois sussurrem para si mesmo
De qual constelação despencou a tua alma.
 
Guilherme Maciel.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

É só uma libertação. Eu caminho em direção ao sossego de mim mesma.




Estar buscando-se não necessariamente quer dizer que preciso trocar tudo que tenho na minha vida por outras coisas. Quer dizer que sinto-me uma menina, com espaços psicológicas e conceituais ainda por serem preenchidos, com estes espaços em branco é que sinto-me vazia. E preciso buscar preenchê-los sozinha, porque tudo e quem esta ao meu redor é absorvido por essa sede de crescimento e logo não se torna meu. Não que eu não os queira, quero e muito, apenas sei que tem conceitos e ideais que serão só meus pra vida toda, logo... encontra-los sozinha é o melhor jeito.
Tenho meus traumas, tenho medo da morte, tenho medo de ser só, enfim... é isso que faço aqui, deixá-los aqui, não os carrego mais, não me pertence, morreu com quem tinha que morrer e basta.
É apenas uma libertação. Eu caminho em direção ao sossego de mim mesma.

Aprendi a palavra calma. Entendi a paciência. Cresci.

Não prefiro aqui onde estou, é óbvio. Porque faz um ano e meio que descobri meu futuro ao lado de alguém, estar aqui nunca foi uma escolha de deixar tudo isso pra trás.
Estou feliz aqui, mas não SOU feliz aqui. São coisas diferentes.

Pois bem... que o tempo mostre tudo que eu e as pessoas ao meu redor temos que aprender. 


Hoje respiro primeiro antes de correr.
É preciso viver um instante de cada vez.
É uma libertação viver. Hoje eu caminho lentamente em direção ao sossego de mim mesma!

Tábatta Iori 





Foto: Tábatta Iori - tirada na cidade de Varese - Itália - 16.08.2012